Opinião

O momento do cinema português

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

O cinema português — entenda-se: o cinema enraizado em Portugal e nos artistas portugueses — vive um momento, no mínimo, interessante.

Sem hierarquias temáticas ou estéticas, lembremos apenas três factos palpáveis:

1. O novo filme de Pedro Costa, “Vitalina Varela” [foto], venceu recentemente o Festival de Locarno, um dos mais importantes certames europeus.

2. “Variações”, de João Maia, está a ser um curioso fenómeno social, a meio caminho entre o culto da memória e o apelo da mitologia.

3. Na secção competitiva do Festival de Veneza, certame de nobres tradições (a decorrer até 7 de Setembro), está presente “A Herdade”, de Tiago Guedes. O que importa sublinhar neste breve roteiro (podíamos acrescentar, por exemplo, mais alguns títulos com estreia agendada para os próximos meses) está para além de qualquer quantificação contabilística do mercado e até mesmo do impacto internacional de um número cada vez mais significativo de produções portuguesas. O que se destaca é, a meu ver, a pluralidade das experiências artísticas. Escusado será dizer que estes filmes, ou outros que possamos citar, envolvem diferenças que nunca irão gerar leituras ou avaliações unânimes. Não é isso que está em causa. O que realmente existe é essa diversidade de produção que, salvo melhor opinião, será sempre fundamental para a consolidação de muitos públicos. Insisto: públicos (no plural). Mais do que nunca, importa também contrariar a velha demagogia segundo a qual a vitalidade do mercado dos (e para os) filmes portugueses obrigaria a que todos se comportassem nas salas como os “blockbusters” americanos. Aliás, tal visão mascara até o facto de a história dos “blockbusters” estar recheada de clamorosos falhanços. Acontece apenas que a conjuntura é favorável à produção de ideias — em domínios que vão do pensamento artístico à promoção comercial — que consigam, no mínimo, valorizar e ajudar a desenvolver a multiplicidade dos caminhos criativos. Na sua base, uma cinematografia nacional faz-se a partir de duas componentes muito básicas: a organização de uma estrutura consistente de produção e uma relação saudável com os espectadores. Lembrá-lo é apenas referir o “bê-á-bá”. Porque não?

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