Opinião

Os arautos do mau tempo

Kiichiro Sato

Artigo de Opinião de Teresa Canto Noronha.

Estive, este último mês, fora da redação diária, em reportagem para o 'Vidas Suspensas', que regressa para a 3ª temporada, no próximo dia 15.

Portanto, estive um mês sem escrever notícias.

De serviço, este fim de semana, escrevo sobre o tufão Hagidis que promete ser o mais devastador dos últimos 60 anos, a passar pelo Japão.

Já me preparo para as habituais críticas dos que dizem que somos arautos da tragédia, que estamos sempre a potenciar os eventuais efeitos destruidores dos temporais e que, depois, afinal não era assim tão perigoso. Que nem choveu assim tanto, nem os ventos chegaram aos tais x quilómetros por hora que eram previstos.

Como se não devessemos cumprir a nossa obrigação de reportar sobre a gravidade de furacões, tufões e afins, sempre que as autoridades emitam alertas.

Como se não fosse nossa obrigação dizer que o alerta é máximo, vermelho, ou o que quer que seja que cada país decida chamar-lhe.

É nossa obrigação, tal como é nossa obrigação passar a mensagem para as pessoas terem cuidado quando os especialistas (meteorologistas, protecção civil, etc) dizem que há um perigo real.

Não somos nós que decidimos o nível de alerta.

Mas é graças a nós que a população fica a saber que precauções deve tomar para se proteger.

Não é porque lá estamos, ou damos a notícia, que os deuses dos temporais decidem, ou não, a escala do mau tempo.

Mas, como é evidente, também nos caíriam em cima, se não tivessemos feito o nosso trabalho e, infelizmente, tivesse acontecido o pior.