Opinião

O peru queimado de Trump

Tom Brenner

Luís Costa Ribas

Luís Costa Ribas

Impressões da América

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O dia de Acção de Graças é, nos Estados Unidos, feriado mais importante do que o Natal. É a festa de família por excelência. Ninguém esperava que Donald Trump lhe fizesse justiça e ele não desapontou.

Os Estados Unidos celebram hoje, quinta-feira, o Dia de Acção de Graças. É a festa da família por excelência. Mais importante, para os americanos, do que o Natal.

Nas palavras do presidente Abraham Lincoln, na sua Proclamação de Acção de Graças, em 1863, durante a Guerra Civil, exortou os seus concidadãos a “implorarem a interposição da Mão Todo-Poderosa para sarar as feridas da nação e restaurar, logo que consistente com os propósitos Divinos, o gozo pleno da paz, harmonia, tranquilidade e união”.

Donald Trump, num momento de particular acrimónia e divisão , decidiu esta semana, após o tradicional perdão dos perus, inventar que há forças no país - os seus adversários - a tentar acabar com a designação do Dia de Acção de Graças.

É mentira, é contrário ao espírito do dia, e não é surpreendente. Não é surpreendente porque há poucas coisas tão estranhas a Trump como a gratidão e a família.

A secretária de Donald Trump, Madeleine Westerhout, foi despedida no Verão passado por ter feito confidências indevidas a um grupo de jornalistas, após um jantar em que se bebeu, talvez, demais.

Num episódio que envergonha o jornalismo, um repórter decidiu dar à escrita o que ouviu num evento indiscutivelmente off the record, e a jovem perdeu o emprego.

As indiscrições eram delicadas. Mas à parte da questão jornalística, deixa consternada qualquer pessoa de bem, uma das revelações: a de que Trump não gosta de ser fotografado com a filha mais nova, Tiffany, por a considerar obesa.

A jovem ficou triste. Mas a sua miséria às mãos deste pai não é única. A irmã, Ivanka, teve de ouvir em público que, se não fosse seu pai, Trump gostaria de sair com a filha num “encontro”.

Num programa de rádio do alegadamente cómico Howard Stern, Trump concordou com o locutor quando este comentou, de forma grosseira, que Ivanka era “boazona” (numa tradução boazinha).

Noutro dia, mas no mesmo programa, Trump garantiu que a filha não tinha implantes mamários e comentou a sua voluptuosidade.

A mulher mais recente, Melania, foi traída com a actriz porno Stormy Daniels em parte, porque, aparentemente, meses após o nascimento do filho, Barron, tinha muita gordura pós-parto.

Abordar as filhas como objectos sexuais não chega e o filho mais velho, Donald Júnior, era tratado como um idiota e inútil, passando boa parte obcecado a tentar parecer como agradar ao pai.

Não parece, pois, surpreendente que um indivíduo de quem a extrema-direita religiosa, hipocritamente citando João 1:14, diz ser “o verbo [que] incarnou e habitou ente nós”, não seja uma respeitador da família e dado a celebrá-la.

Aliás, para aferir o seu respeito pela instituição da família, basta lembrar como este “escolhido por Deus”, decretou a separação de milhares de crianças dos seus pais na fronteira com o México, instituindo oficialmente uma política de crueldade para tentar deter a imigração ilegal.

A refeição do Dia e Acção de Graças reflecte, com as variações trazidas pelos tempos e costumes, a colheita dos primeiros colonos, chegados a Plymouth em 1621: peru, abóbora, batata doce. O peru de Trump chegou à mesa queimado. E intragável como ele.

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    SIC Notícias