Opinião

À espera dos Óscares (3)

Elijah Wood em "O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei": 11 nomeações, 11 Óscares

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Ter ou não ter, eis a questão: por vezes, um grande número de nomeações para os Óscares está longe de garantir muitos prémios. E há mesmo dois casos extremos de filmes nomeados em 11 categorias que acabaram por não receber uma única estatueta dourada.

Na gíria dos Óscares, diz-se por vezes que estar nas nomeações já representa uma honra muito especial. Assim é, sem dúvida: os prémios da Academia de Hollywood conciliam, como poucos, o prestígio e a exposição global.

Ainda assim, não há vitórias “morais”. Ou mais exactamente: mesmo um grande número de nomeações está longe de garantir uma presença segura na lista dos premiados. Em anos recentes, as distinções têm sido mesmo muito repartidas, de alguma maneira ilustrando alguns dos tópicos da diversidade que a Academia não se tem cansado de promover.

Repare-se no que aconteceu nas últimas três cerimónias. Em 2017, “La La Land” igualou o recorde de 14 nomeações, alcançado apenas por mais dois títulos: “All About Eve/Eva” (1950) e “Titanic” (1997); acabou por receber seis estatuetas douradas, embora não arrebatando o Óscar de melhor filme (ao contrário dos outros dois recordistas). Em 2018, “A Forma da Água” conseguiu quatro triunfos, incluindo melhor filme, a partir de 13 nomeações. O ano passado, “A Favorita” e “Roma” eram os mais nomeados, em 10 categorias, tendo obtido um e três Óscares, respectivamente, sem que nenhum deles fosse eleito melhor filme (“Green Book” seria o escolhido, vencendo em “apenas” três categorias).

No plano meramente quantitativo, o mais difícil será sempre obter um número significativo de nomeações e arrebatar todos os respectivos Óscares. O recordista absoluto é “O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei” (2003): 11 nomeações, 11 prémios. Como podemos recordar neste video, no momento da entrega do Óscar máximo, foi lembrado que, desse modo, o filme igualava o recorde de triunfos de “Ben-Hur” (1959) e “Titanic”.

Porventura ainda mais “difícil” (ou, seguramente, mais frustrante) é coleccionar muitas nomeações e… ficar a zero. Dois títulos continuam a ser os mais penalizados nesse tipo de “proeza”: “A Grande Decisão” (1977), melodrama no mundo do bailado dirigido por Herbert Ross, e “A Cor Púrpura” (1985), a adaptação do romance de Alice Walker assinada por Steven Spielberg — qualquer um deles acumulou nada mais nada menos que 11 nomeações, incluindo a de melhor filme, mas perdendo em todas as categorias. No primeiro caso, o Óscar de melhor filme foi para “Annie Hall”, de Woody Allen; no segundo, para “África Minha”, de Sydney Pollack.

Difícil, mesmo difícil, é sair da cerimónia dos Óscares com o chamado “quinteto mágico”. Ou seja, ganhando as cinco categorias mais prestigiadas e prestigiantes: filme, realização, actor, actriz e argumento (original ou adaptado). Aconteceu pela última vez com “O Silêncio dos Inocentes” (1991), de Jonathan Demme, com Jodie Foster e Anthony Hopkins, e argumento de Ted Tally (a partir do romance de Thomas Harris). Até agora, em 91 cerimónias já realizadas, só mais dois filmes conseguiram idêntica conjugação de vitórias: “Uma Noite Aconteceu” (1934), de Frank Capra, e “Voando sobre um Ninho de Cucos” (1975), de Milos Forman.