Opinião

Manchado para sempre

Tom Brenner

Luís Costa Ribas

Luís Costa Ribas

Impressões da América

Impressões da América, por Luís Costa Ribas.

O julgamento de Donald Trump, salvo a ocorrência de um cataclismo político de proporções bíblicas, não resultará na sua destituição. Mas o processo de impugnação e destituição foi a resposta inevitável de quem entendia ser tempo de dizer “basta”.

A partir de terça-feira, 21 de Janeiro, Donald Trump será julgado por crimes e delitos graves. Trump foi impugnado e acusado, após um inquérito na Câmara dos Representantes, por abuso de poder e obstrução do Congresso.

Para ser condenado e destituído, terá de ser considerado culpado por 67 dos 100 senadores americanos constituídos em jurados (maioria de dois terços), o que não é, de todo, previsível. O Senado tem uma maioria republicada de 53 lugares e 20 teriam, de votar com os democratas para destituir Trump. Não há 20 republicanos capazes de o fazer.

Por causa da inevitabilidade do resultado do julgamento a líder democrata no Congresso, Nancy Pelosi, opôs-se sistematicamente a um processo de impugnação. Fazê-lo e Trump sair vitorioso dificilmente seria uma vitória política. Mas a acumulação de desrespeito de Trump pela Constituição, pela lei, pela decência política e pela segurança nacional acabaram por pesar mais.

Em Setembro, um grupo de sete congressistas democratas moderados, todos veteranos das forças armadas e dos serviços secretos, publicaram um artigo de opinião a dizer “basta”.

As revelações de que Donald Trump, retivera assistência militar à Ucrânia, previamente aprovada pelo Congresso, e recusara uma reunião com o presidente ucraniano até que este anunciasse uma investigação que interferia nas eleições americanas, foram a gota de água.

A posição daqueles sete moderados desequilibrou a balança entre a ala esquerdista do Partido Democrático, que pretendia uma impugnação a todo o custo, e a ala moderada e pragmática que preferia esperar pelas presidenciais deste ano para remover Trump da Casa Branca.

Mesmo não sendo possível destituir Trump, os democratas decidiram que um processo de impugnação era um aviso de que havia limites e decidiram estampar uma nódoa no nome Donald Trump, que viverá para sempre na história – sendo ele apenas o terceiro presidente a ser impugnado nos quase dois séculos e meio de história dos Estados Unidos.

Trump, um narcisista a quem o ego cega, vai sofrer quase tanto com a “mancha” na sua marca, como com uma eventual derrota eleitoral. É curta a satisfação que daqui possa resultar para os seus adversários. Mas a decisão foi tomada e poderá ter consequências eleitorais graves para os democratas que, ao tomarem uma posição de princípio, poderão prejudicar as possibilidades de vitória nas presidenciais de 3 de Novembro de 2020.

Sendo que dificilmente o eleitorado Trump será demovida pelo que quer que seja que ele faça, tudo depende de este processo ter revelado o suficiente sobre ele, para que o eleitorado que o quer fora da Casa Branca seja ampliado e participe nas eleições. Esse é um risco que os democratas aceitaram correr.