Opinião

Por estes dias #dia 8

O Estado, o sistema e a confiança

Estranha forma de vida, esta.

Os portugueses que reclamam do Estado, reclamam do Governo, dizem sempre nas conversas de café que «eles» não fazem nada, «eles» só fazem promessas, «eles» só querem tacho, «eles» são todos iguais...

Os portugueses que alimentam o sonho populista de alguns, esses mesmo, são os que, nestes dias, nas respostas à sondagem da SIC e do Expresso, garantem confiar totalmente nas instituições do País.

A sondagem é surpreendente.

À pergunta: «até que ponto está confiante na resposta que as instituições estão a dar à epidemia», as forças, de segurança, GNR e PSP estão no topo.

Quase 80 por cento dos portugueses acredita numa farda. Sente confiança e segurança.

Logo a seguir, e antes do primeiro-mnistro, Presidente e ministra da Saúde, antes da Câmara Municipal ou dos deputados, logo a seguir os portugueses, 77% acreditam na Direcção-Geral de Saúde, um organismo que até há umas semanas mal sabiam que existia.

Ou seja, confiam nos médicos.

E no sistema.

No mesmo sistema de que desdenham na maior parte do tempo e para o qual não querem pagar impostos.

Polícias e médicos.

Instituições.

Estado.

Talvez seja sonhar alto, talvez quando a epidemia passar se esqueçam, mas estes resultados mostram que quando é preciso acreditar no Estado os cidadãos acreditam.

E devia demonstrar aos Governos e às instituições que têm obrigação de merecer essa confiança, todos os dias.

Sempre.

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