Opinião

Por estes dias #dia 15

Michele Tantussi

A nova Europa

A União Europeia - e não a Europa - nunca tinha vivido nada assim.

Chamaram-lhe guerra, mas uma pandemia não é uma guerra.

Morrem pessoas, paralisa a economia, isola países e fecha pessoas, mas não é uma guerra. Uma guerra pode sempre ser evitada, porque depende da vontade dos homens.

Uma pandemia cresce sozinha, espalha-se como fogo na pradaria e tem consequências imprevisíveis, porque o organismo vivo que lhe dá origem é mutável, adapta-se e nunca sabemos onde e quem vai atacar a seguir.

Sabemos ainda pouco sobre este bicho.

Mas sabemos já muito sobre a tal União Europeia.

Que nas crises financeiras e económicas não só não é solidária, como castiga os pobres e os mais fracos.

Sabemos que responde tarde e mal às crises entre Estados e que raramente o consenso é pelo maior denominador comun mas, e quando há, pelo menor denominador comun.

Sabemos que os mais fortes da União, que mais contribuem mas que, também mais exportam para a própria União, usam o poder da força, do orçamento e da demografia para impor decisões prejudiciais aos chamados pequenos.

A solidariedade da União em tempos de crise é pouca.

O que nunca esperei é que, diante de uma pandemia, uma crise sanitária global, o combate a um inimigo invisível e comum, que afeta todos da mesma forma, que não escolhe fronteiras, povos ou raças, credos ou convicções... perante isto, a solidariedade continua a não existir, os grandes continuam a oprimir os pequenos, os ricos continuam a dar ordens aos pobres.

A (des)União Europeia que está à vista pode ser o primeiro passo para o fim deste tipo de União.

Não se reclame uma união de povos e nações, de culturas e geografias quando, na verdade, o que de facto interessa é a união «económica e monetária», o mercado livre e as transações «comerciais».

Não sei que mundo novo vai sair depois de exterminada a COVID.

Mas tenho a certeza que a União, como está, como é e para o que serve, não pode ficar na mesma.