Opinião

Filmes em quarentena: "Revolutionary Road"

Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em "Revolutionary Road" — onze anos depois de "Titanic"

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

O notável drama conjugal que é “Revolutionary Road” pode ser visto ou revisto em “streaming”. Foi o filme que refez o mítico par de “Titanic”: Leonardo DiCaprio e Kate Winslet — a realização tem assinatura de Sam Mendes.

Nas últimas décadas, qual o mais popular par romântico do cinema? Não será abusivo supor que muitos espectadores poderão responder: Leonardo DiCaprio/Kate Winslet. Que é como quem diz: Jack e Rose a bordo do “Titanic” (1997), sob a direcção de James Cameron.

Pois bem, a história do cinema não é feita de automatismos lógicos. Cerca de uma década mais tarde, mais exactamente em 2008, DiCaprio e Winslet voltaram a trabalhar juntos num filme que, por amarga ironia, cumpriu uma modesta carreira comercial, continuando a ser desconhecido de muitos espectadores que os seguiram em “Titanic” — chama-se “Revolutionary Road” e está disponível numa plataforma de “streaming”.

Estamos perante uma rara conjugação de talentos. Para lá da excelência do elenco, que inclui também Michael Shannon e Kathy Bates, a realização de Sam Mendes (que, na altura, ainda não tinha assinado “Skyfall” e “Spectre”, os seus dois filmes de James Bond) aborda com invulgar subtileza o drama de um jovem casal que, em meados da década de 1950, se instala na Revolutionary Road a que se refere o título, numa zona suburbana do estado do Connecticut. A sua crença numa utopia conjugal desligada da realidade irá ser posta à prova de forma metódica e implacável.

O filme baseia-se no romance homónimo de Richard Yates (1926-1992), publicado em 1961, tradicionalmente apontado como uma das obras-primas literárias sobre as ilusões e desilusões do “American Dream”. DiCaprio e Winslet distinguem-se pela delicadeza das emoções que colocam em cena, à medida que o casal vai descobrindo o abismo que separa o lirismo sonhado dos factos que definem a vida material.

Para a história, “Revolutionary Road” teve uma presença discreta, mas honrosa, na temporada dos prémios referentes a 2008 — em qualquer caso, não bastou para que fosse um verdadeiro fenómeno nas salas de todo o mundo. Kate Winslet ganhou o Globo de Ouro de melhor actriz (drama), tendo o filme ficado a zero nos Óscares, apesar das nomeações obtidas nas categorias de actor secundário (Shannon), cenografia e guarda-roupa. Nesse ano, “Quem Quer Ser Bilionário?”, de Danny Boyle, foi consagrado com oito estatuetas douradas, incluindo a de melhor filme.

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  • Não estou de acordo

    Opinião

    Não estou de acordo com métodos medievais para enfrentar uma pandemia. Se os vírus evoluíram, a organização da sociedade também deveria ter evoluído o suficiente para os combater de outra forma. O recolher obrigatório é próprio dos tempos obscuros e das sociedades não democráticas. Proibir as pessoas de circular na rua asfixia a economia e não elimina a pandemia.

    José Gomes Ferreira