Opinião

Movimentos extremistas “estão a ganhar espaço porque não têm mediação no espaço público”

A análise de Pedro Cruz às ameaças a três deputadas e à SOS Racismo.

Em análise ao e-mail de ameaças enviado à SOS Racismo pela autoproclamada "Nova Ordem de Avis - Resistência Nacional", Pedro Cruz considera que para compreender o surgimento deste tipo de fenómenos é necessário analisar como a sociedade, em particular a europeia, se alterou aquando do advento da internet.

O papel das redes sociais e da crise

Para o subdiretor de informação da SIC, a partir do momento em que a comunicação se faz na Internet, sem mediação, através de plataformas como as redes sociais, abriu-se um espaço onde é mais fácil partilhar ideias de extrema-direita ou extrema-esquerda, até porque grande parte das pessoas estão sob anonimato.

O facto de estes movimentos estarem a ganhar espaço pela falta de mediação no espaço público “tem facilitado o populismo, a troca de argumentos fáceis e demagogia”, diz Pedro Cruz.

Outra possível explicação, aponta, é o conjunto de crises – em 2001, 2008, 2011 e a atual – que propiciam um “caldo social” que leva a que muitos adiram a estas movimentos porque “dizem o que se quer ouvir”.

O que é preciso mudar?

Em reação às palavras do Presidente da República, que pede “tolerância zero” e “sensatez” para os “temas sensíveis da sociedade”, Pedro Cruz diz que é necessário que os políticos e a Justiça tratem esta questão com firmeza, mas com sensatez, de forma a não se responder com um “discurso mais extremista do que as próprias ações”.

Diz, ainda assim, que é fundamental firmeza e ação, assim como uma revisão do sistema judicial, do Código Penal e da própria Constituição.

“Precisamos de um Ministério Público e de uma Polícia Judiciária com meios (…) e de uma polícia atuante e acima de qualquer suspeita, o que nem sempre acontece neste tipo de temas”, acrescenta.

Veja também:

  • 2:34