Opinião

Sessão de Cinema: "Relatório Minoritário"

Tom Cruise em "Relatório Minoritário": aventuras através dos labirintos da ciência

Baseado num conto de Philip K. Dick, com Tom Cruise no papel central, o filme de Steven Spielberg é uma brilhante variação sobre a tradição aventurosa das “viagens no tempo”.

Na altura em que “Tenet”, a brilhante aventura cinematográfica de Christopher Nolan, está a conseguir mobilizar espectadores de todo o mundo para o regresso às salas escuras, vale a pena recordar que o tema das “viagens no tempo” está longe de ser uma novidade — na literatura e no cinema, como é óbvio.

Daí a sugestão para revisitarmos um dos títulos mais originais, e também mais sofisticados, desse domínio (disponível numa plataforma de streaming). Penso em “Relatório Minoritário” (2002), o filme protagonizado por Tom Cruise que Steven Spielberg dirigiu a partir de um conto de Philip K. Dick.

Tal como acontece em “Tenet”, o filme de Spielberg está longe de ser uma variação convencional sobre o conceito de “viagem no tempo”. Dito de forma esquemática, descobrimos um tempo futuro em que a vigilância policial possui poderes de antecipação dos crimes que vão ser cometidos… até que um dos inspectores (Cruise) é apontado como potencial autor de um crime futuro…

Penetramos num universo tanto mais inesperado e perturbante quanto todas as clássicas fronteiras do conhecimento humano estão postas em causa. Spielberg encena, assim, uma aventura futurista que, em última instância, nos confronta com uma questão sempre actual. A saber: quais as relações entre os mecanismos de preservação da ordem social e os avanços da tecnologia e, de modo geral, o conhecimento científico?

Curiosamente, “Relatório Minoritário” surge na filmografia do seu autor logo após “A. I. - Inteligência Artificial” (2001), outra aventura em que a evolução tecnológica (neste caso, através dos robots) ocupa o centro da acção. O que significa que Spielberg está longe de ser um mero utilizador dos chamados efeitos especiais — através do seu cinema, encontramos uma sistemática e obsessiva reflexão sobre as relações entre os seres humanos e a ciência. Por vezes através do mais puro maravilhamento, outras vezes pressentindo alguma inquietação.

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