Opinião

O exemplo inglês

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Duarte Gomes

Duarte Gomes

Comentador SIC Notícias

Os bons exemplos são para seguir e o futebol inglês é o melhor dos exemplos a seguir. O que é que falta, afinal, para darmos esse grande passo?

Em Inglaterra mora uma das melhores Ligas do mundo e são vários os motivos que a levaram a atingir essa dimensão. Uma dimensão que permite, por exemplo, que a maioria dos seus jogos sejam transmitidos por dezenas de operadores televisivos em mais de duzentos países do globo.

Coronavírus à parte, a Premier League é também uma das que mais adeptos coloca nos estádios. Isso acontece porque teve a capacidade de erradicar focos de violência extrema, criando com investimento, tempo e resiliência uma montra irresistível, onde não faltam programas apelativos, acesso a conteúdos de excelência e iniciativas de proximidade.

Essa é apenas uma das receitas para seduzir famílias inteiras. Todos querem participar, todos sentem-se envolvidos. Todos querem ver, ao vivo, o espectáculo grandioso que acontece em cada estádio de futebol.

Em Inglaterra, os suplentes sentam-se ao lado dos adeptos e não há cercas nem vedações. Não há porque não é preciso. Todos aprenderam a respeitar o jogo e os seus agentes e quem não aprendeu, sentiu na pele a dureza implacável da justiça desportiva e civil.

Não é por isso de estranhar que a Liga Inglesa seja aquela que mais dinheiro distribui aos seus clubes.

Os direitos de televisão estão centralizados há anos e só esses (além de muitas outras formas de rentabilidade que conquistaram) rendem cerca de 2,5 mil milhões de euros aos clubes por época.

Vou repetir: 2,5 mil milhões de euros por época!

Por lá, toda a gente - do tratador de relva ao CEO, do terapeuta ao "Chairman" - sabe que o jogo é um produto valioso que deve ser estimado, defendido e protegido. Todos perceberam que quanto mais valorizada e forte for a competição, mais benefícios terão.

Por força dessa lógica inteligente, altruísta e visionária, tiveram sucesso. Obviamente.

Hoje, jogar na Premier League não é apenas uma mera aventura num campeonato estrangeiro: é o concretizar de um sonho para qualquer jogador que ambicione chegar ao topo dos topos.

Dito assim, desta forma fácil, parece que esta é uma realidade paralela. Inalcançável. Parece que estamos a falar um campeonato de outro mundo, longe das nossas aspirações e alcance. Longe dos nossos sonhos. Não é verdade.

Por cá, temos qualidade, saber, competência e capacidade para construir um caminho semelhante. Basta que deixemos de minudências e pensemos em grande. Basta que nos deixemos de olhar para dentro e comecemos a enxergar para fora.

Os bons exemplos são para seguir e o futebol inglês é o melhor dos exemplos a seguir.

O que é que falta, afinal, para darmos esse grande passo?

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