Opinião

Bette Davis para sempre

Bette Davis no papel de Margo Channing: memórias da idade de ouro de Hollywood

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

O filme “All About Eve” (título português: “Eva”), dominado por uma notável composição de Bette Davis, surgiu há exactamente 70 anos — foi o grande vencedor dos Óscares referentes à produção de 1950.

Eis uma efeméride que nos relança na riqueza, complexidade e fascínio da idade clássica de Hollywood: “All About Eve” (entre nós distribuído com o título “Eva”), estreado nos EUA a 13 de outubro de 1950, está a fazer 70 anos.

Eis-nos perante uma das mais admiráveis composições de Bette Davis (1908-1989), ilustrando, em particular, uma evidência tantas vezes ignorada ou ocultada: a extraordinária diversidade de grandes personagens femininas que o cinema clássico americano produziu.

Ironicamente, ela não é a “Eva” do título, mas sim Margo Channing, actriz veterana da Broadway que acolhe Eve Harrington, interpretada pela não menos talentosa Anne Baxter, uma admiradora que se irá transformar numa acompanhante, secretária e, por fim, actriz, de alguma maneira envolvendo Margo numa perversa teia de fidelidade e traição…

Escrito e realizado por Joseph L. Mankiewicz, na altura já consagrado por títulos como “O Fantasma Apaixonado” (1947) ou “Sangue do Meu Sangue” (1949), o filme consegue ser um invulgar estudo das paixões humanas e, ao mesmo tempo, um retrato clínico, por vezes de implacável contundência, dos bastidores do teatro da Broadway.

Para a história, o filme conseguiu a proeza (ainda não repetida) de obter quatro nomeações para Óscares de interpretações femininas: Davis e Baxter na categoria de melhor actriz; Celeste Holm e Thelma Ritter como secundárias. Em boa verdade, nenhuma delas ganhou. Seja como for, “All About Eve” foi o grande vencedor dos prémios da Academia de Hollywood referentes a 1950, arrebatando seis Óscares, incluindo melhor realização e melhor filme do ano. No elenco, num pequeno papel secundário, surge também uma ilustre desconhecida que tentava encontrar um lugar na “fábrica de sonhos” de Hollywood — o seu nome: Marilyn Monroe.