Opinião

Sessão de Cinema: “Era uma Vez na Anatólia”

"Era uma Vez na Anatólia": cinema da Turquia, premiado em Cannes

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Várias vezes premiado em festivais internacionais, Nuri Bilge Ceylan tem sido o principal embaixador do cinema turco — com “Era uma Vez na Anatólia”, aplica o seu talento no registo policial.

Se há géneros cinematográficos verdadeiramente universais, o policial é, por certo, um dos mais significativos e também mais populares. Entre os títulos surgidos ao longo da última década, vale a pena descobrir um exemplo tão original quanto perturbante — vem da Turquia, chama-se “Era uma Vez na Anatólia” e obteve o Grande Prémio do Festival de Cannes de 2011 (ex-aequo com “O Miúdo da Bicicleta”, dos irmãos Dardenne).

Como o título indica, tudo acontece na região da Anatólia, numa zona sem habitações onde é descoberto um cadáver. A partir daí, somos enredados num processo de investigação em que nada é o que parece. Em última instância, este é mesmo um filme centrado no jogo da aparências que tanto pode afectar cada uma das personagens como as próprias instituições envolvidas.

“Era uma Vez na Anatólia” possui uma dimensão paisagística absolutamente essencial. Os cenários de muitas sequências são deslumbrantes, embora não apenas num sentido pictórico, muito menos turístico — trata-se de filmar a paisagem como um elemento dramático essencial nas relações das personagens. O que, além do mais, não será estranho à versatilidade artística do realizador Nuri Bilge Ceylan, também um talentoso fotógrafo.

Ceylan, importa sublinhá-lo, tornou-se o principal embaixador do cinema turco, e tanto mais quanto os seus filmes têm obtido grande reconhecimento em diversos certames internacionais. Com o seu trabalho seguinte, “Sono de Inverno” (2014), arrebatou mesmo a Palma de Ouro de Cannes — ambos os títulos estão disponíveis numa plataforma de streaming.

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