Opinião

Sessão de Cinema: "Julieta dos Espíritos"

Giulietta Masina dirigida por Federico Fellini — o cinema vivido em tom confessional

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Na filmografia de Federico Fellini, “Julieta dos Espíritos” é um dos momentos mais pessoais, e também mais confessionais — no papel central está a sua mulher, Giulietta Masina.

O mestre italiano Federico Fellini (1920-1993) volta a ser um nome forte na actualidade cinematográfica portuguesa. Desde logo, porque a sua filmografia integral é objecto de um ciclo a decorrer na Cinemateca; depois, porque esse evento, integrado na 13ª edição da Festa do Cinema Italiano, se prolonga através de uma oferta diversificada de títulos numa plataforma de streaming.

Vale a pena, por isso, explorar o património “felliniano” para lá das obras mais consagradas — a começar por “La Dolce Vita” (1960) e “Oito e Meio” (1963) —, lembrando, por exemplo, “Julieta dos Espíritos”.

Produzido em 1965, depois de “Oito e Meio”, antes de “Satyricon” (1969), “Julieta dos Espíritos” é uma carta confessional dirigida pelo cineasta a sua mulher, Giulietta Masina (1921-1994). Fellini já a dirigira várias vezes, incluindo no emblemático “As Noites de Cabíria”, consagrado com o Oscar de melhor filme estrangeiro referente a 1957. No caso de “Julieta dos Espíritos”, o facto de a personagem central “repetir” o nome da actriz está longe de ser acidental — este é um diálogo cinematográfico entre o autor e a sua intérprete.

Julieta/Giulietta vive, assim, uma experiência, de uma só vez intimista e exuberante, que Fellini encena como um imenso e delirante espectáculo de circo. O resultado é uma viagem em que tudo se cruza e contamina, das pequenas anedotas da existência humana até aos mais secretos desejos e fantasmas.

“Julieta dos Espíritos” foi também um filme consagrado em diversos contextos. Não nos Óscares, embora tenha obtido nomeações em duas categorias (cenografia e guarda-roupa). Nos Globos de Ouro foi eleito melhor filme estrangeiro; nos prémios David di Donatello (cinema italiano), valeu a Giulietta Masina a consagração como melhor actriz de 1965.

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