Opinião

Sony WH-1000XM4, já não serão os melhores do mundo?

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

Editor de Novas Tecnologias

Escrevi em tempos que os Sony WH-1000XM3 eram os melhores auscultadores com cancelamento de ruído do mundo, até hoje não me arrependi um minuto, tendo em conta o contexto em que o disse. Não posso dizer o mesmo dos sucessores. Direi talvez que estão de certeza entre os melhores do mundo.

Porquê? A Sony mostrou a necessidade, mostrou que as pessoas estavam dispostas a pagar o preço, e muitas marcas seguiram-lhe as pisadas. De tal maneira que não posso ter as mesmas certezas por duas razões simples: não os experimentei a todos, longe disso, nem sei se tenho ouvido suficientemente apurado para distinguir verdadeiramente o melhor entre os melhores.

Os tais sucessores, os WH-1000XM4, são praticamente iguais e pelo menos igualmente bons. Eu arriscaria dizer que o som foi melhorado, a única coisa que não me convenço a fazer são chamadas telefónicas, pelo menos aqui na redação da SIC, mas são muito poucos os que me atrevo a usar para isso.

O sensor é um dos meus truques favoritos

Não há dúvida de que a Sony fez um upgrade. O sensor é um dos meus truques favoritos, gosto que a música pare quando tiro os auscultadores. Não são os únicos que o fazem, mas era uma das funções que faltava nos M3, vou-lhes chamar assim para simplificar. A Sony teve que acrescentar um “buraco” dentro de um dos auscultadores dos M4 para poder colocar um sensor que reconhece a presença do utilizador, mas com um problema.

Os WH-1000XM4 resistem até ao teste do aspirador, podemos perfeitamente ter música a acompanhar as tarefas domésticas sem incomodra ninguém.

Os WH-1000XM4 resistem até ao teste do aspirador, podemos perfeitamente ter música a acompanhar as tarefas domésticas sem incomodra ninguém.

E se fossem precisos mais exemplos.

E se fossem precisos mais exemplos.

Quando preciso de uma pausa para fazer outra coisa coloco os auscultadores no pescoço bem seguros. Neste caso, a música não para porque a colocação do sensor faz com que continue a detetar o utilizador. Não sei como se resolve, como é que um sensor poderia distinguir a orelha do pescoço, mas com certeza algum engenheiro da Sony ainda vai dar com a solução para uma futura geração.

Por vezes, há que dizer, são teimosinhos para mudar de fonte, quando temos dois aparelhos ligados aos mesmos auscultadores. Mas podemos ter dois o que já é muito bom.

Mais um recadinho para a Sony


Retirar os auscultadores da cabeça para a música mas não impede que, se alguém nos ligar, a chamada de telefone continue encaminhada para os M4.

Nem sempre, quando estou a trabalhar e a ouvir música a partir de um telefone, quero atender chamadas no telefone. Quando é o telefone que toca ainda se percebe. Mas a minha situação típica é estar a ouvir música, decidir fazer um telefonema, e para isso tirar os auscultadores tendo o cuidado de não os pôr no pescoço. Faço a chamada como é normal mas o som continua a sair pelos auscultadores.

Já me aconteceu frequentemente. Tenho que pedir em voz alta para a pessoa esperar enquanto mudo a fonte. Para corrigir isso tenho que desligar os auscultadores, e já não tenho aquela experiência fácil de depois voltar a colocar os M4 na cabeça e retomar a música onde estava.

Este parece-me um problema relativamente fácil de resolver por software. Mais um recadinho para a Sony que parece não ter feito muitos testes às novas funcionalidades. Não acredito no que acabei de escrever mas que parece, parece.

Sou daqueles que não canta nem no duche

Eu nunca cantaria no meio da redação, sou daqueles que não canta nem no duche. Mesmo assim, dei com um problema para os que se entusiasmam mais com a qualidade do som. É que se se puserem a cantar o som para.

É configurável, claro, mas esta é uma consequência de outra excelente funcionalidade nova, “Speak to Chat”. Se eu estiver concentrado, e alguém falar comigo, não preciso mesmo de desligar ou tirar os auscultadores da cabeça. De cada vez que começo a falar o som baixa automaticamente e os microfones são abertos durante 30 segundos para que ouça o meu interlocutor. Genial.

O engraçado é que só a nossa voz dispara esta função, pelo menos a mim nunca que aconteceu que fosse ligada acidentalmente pela voz de outro, mesmo que a falar perto de mim. Mas com este problema, se me puser a cantar os auscultadores terão a mesma reação estragando o momento. Nada que me vá afetar. Na verdade não é verdadeiramente um problema, só tem que ir à aplicação e optar, prefere ter esta funcionalidade ativa ou dar largas ao entusiasmo musical?

Parece estar francamente melhor a detetar os modos. Ou seja, a detetar se estou a andar, parado, sentado… por aí fora.

O M3 tinha a função de alterar o nível de cancelamento de ruído quando nos pomos em movimento, mas na minha experiência funcionava mal. Bastavam os movimentos da cabeça ao trabalhar sentado para que entendesse que eu estava a andar e desligasse a redução de ruído. Era francamente irritante. Claro que a desliguei.

Agora, desde que estou a experimentar os M4, ainda não senti necessidade de o fazer porque se tem adaptado muito bem. Demora talvez um pouco mais a mudar, ou seja, se estiver em modo sentado leva mais tempo a reconhecer quando começo a andar, mas é melhor assim. É como se só alterasse o modo quanto “tem a certeza”. O que me permite estar aqui a escrever e a abanar a cabeça sem que o modo mude para “caminhar” o que cancelaria a redução de ruído.

Ótimo conforto, excelente som, com as ressalvas com que comecei continuo a dizer que ainda não ouvi melhor em auscultadores com cancelamento de ruído.

O conteúdo da caixa, com ficha para avião.

O conteúdo da caixa, com ficha para avião.

Chego a usá-los com a música parada

Já ouvi melhor, sim, mas em auscultadores muitíssimo mais caros, sem cancelamento, para melómanos, estamos a falar de outra liga. E não são baratos.

380€, estão mais coisa menos coisa a par com possíveis concorrentes. Valem a pena?

Esta medida depende sobretudo da carteira de cada um. Mas podendo, gostando de música como eu gosto e tendo a necessidade de isolamento do exterior, que eu tenho quando quero escrever, sem dúvida que valem esse dinheiro.

O prazer que consigo ter a trabalhar com eles, como agora com a minha música, a escrever este texto, é indescritível. Quando preciso mesmo de concentração chego a usá-los com a música parada, só com o cancelamento de ruído ligado.

É aliás o teste que costumava fazer com amigos que queriam experimentar antes da Covid. Ligava o cancelamento de ruído aqui na redacção e só depois os deixava ouvir sem música. Vi muita expressão de franco espanto, só assim vemos como estamos rodeados de demasiado ruído, sem nos apercebermos.

A Página do Futuro Hoje