Opinião

Como voa o “falcão” luso!

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Permitam-me que dê no início um toque pessoal a esta sumula de ideias. Que tem a ver com um dos heróis portugueses do momento. Exatamente: Miguel Oliveira! Estávamos nos primeiros meses de 2013, o previsível craque do motociclismo teria pouco mais de 18 anos, estava na segunda temporada de Moto3 e foi dar uma entrevista à Bola TV, onde eu dava os primeiros passos como comentador – já acompanhava a carreira do “falcão”, como acompanho a de tantos outros atletas, seja lá qual for a modalidade. Entre a entrada em estúdio e uma visita às instalações, houve tempo para se cavaquear um pouco. E não me esqueço de que nessa conversa, em que participou o meu camarada Pedro Cravo e o pai de Miguel, lhe disse “você ainda há de ser campeão mundial”. Depois do que lhe vi fazer este domingo, em Portimão, cada vez me convenço mais de que essa realidade poderá estar para breve.

Como o próprio referiu e os especialistas assinaram por baixo, o “falcão” luso voou como só ele sabe e teve o fim de sema perfeito, conseguindo aquilo que só os predestinados conseguem: “pole”, volta mais rápida na corrida, volta mais rápida ao circuito (no treino) e vitória na corrida. Resultados só possíveis a um campeão, um atleta que nasceu para andar de moto a mais de 300 quilómetros à hora. Portanto, uma vez que na próxima temporada vai passar a vestir as cores da equipa de fábrica da KTM, parece-nos, a nós e a ele, estar mais perto a possibilidade de concretizar o sonho que alimenta desde que se dedica a tempo inteiro a esta modalidade, que para ele começou… ainda no berço. Que assim seja Miguel, pois o País está rendido à sua monumental categoria!

JUDO DE PRATA E BRONZE

Ainda antes do futebol – hoje percebe-se, se me é permitido, que comece de baixo para cima… - outra enorme referência ao judo português, que regressou dos Europeus de Praga (Portugal terá a responsabilidade de organizar a competição no próximo ano) com três medalhas no bolso, confirmando-se a natural apetência que os portugueses/portuguesas têm para a prática da exigente modalidade.

Telma Monteiro, nome incontornável do judo mundial, conquistou a medalha de prata, 14.ª na competição, na 14.ª presença, galardão que junta a 5 ouros e 8 bronzes, numa carreira onde reluzem outros galardões: bronze olímpico no Rio-2016 (quartos JO em que participou), 4 pratas e 1 bronze em Mundiais, 1 ouro, 1 prata e 1 bronze nos Jogos Europeus. Por tudo isto, a atleta do Benfica, de 34 anos, será alvo de justa homenagem quando Portugal acolher o próximo Campeonato da Europa.

Os outros medalhados da jornada checa foram Jorge Fonseca, medalhado de bronze em 100 Kgs., ele que ostenta o título de campeão mundial na especialidade, e a luso-brasileira Rochele Nunes, também ela bronzeada em +78 kgs. O que tão só quer dizer que o futuro do judo português está bem e recomenda-se e que atrás destas vitórias muitas outras se sucederão. Garantidamente!

“TOMBA GIGANTE” SÓ MESMO O LEIRIA

A eliminatória da denominada prova rainha do futebol indígena, a Taça de Portugal, só terminará a 9 de Dezembro e até esta altura a única equipa que merece o título de “tomba gigante” é o Leiria, do Campeonato de Portugal, que no seu ambiente deu um piparote numa equipa do escalão principal, Portimonense, bastando para tal o remate certeiro de Rui Gomes. Porém, houve equipas da Liga que se viram em palpos de aranha para seguir em frente casos de concretos de Gil Vicente e Vitória minhoto (apuraram-se nos penalties), Boavista e Marítimo, ambos no prolongamento, Sp. Braga e Tondela mesmo em cima do fim do tempo regulamentar.

Já os grandes, conseguiram resultados diferenciados, mas concretizaram o objetivo de se assumirem como candidatos à conquista do troféu: o Sporting goleou o Sacavenense, no Jamor, o FC Porto marcou dois ao Fabril, no Barreiro, o Benfica venceu pela margem mínima em Paredes. Duas referências ainda: para Amora e Salgueiros, que eliminaram formações da II Liga (Feirense e Sp. Covilhã, respetivamente) e para o facto de amanhã, pelas 10 horas (!!!), ter lugar o Casa Pia-Nacional. Só mesmo no futebol português.

CR7, JOTA, NANI E O REGRESSO EUROPEU

Lá por fora também chegam boas notícias de vários futebolistas portugueses. CR7 é um habitué e igualou mais um recorde na “vecchia signora”, graças aos 8 golos que soma em apenas 5 jogos na Série A: desde 94/95 que ninguém marcava nas primeiras cinco rondas da competição. Depois, Diogo Jota, novo menino bonito do Liverpool e já com entrada no álbum de ouro dos “reds”: nunca um futebolista havia marcado nas quatro primeiras jornadas da Premier League, no Estádio Anfield. Jota marcou ao Arsenal, Sheffield United, West Ham e Leicester. Finalmente Nani: o capitão do Orlando City marcou de castigo máximo, a sua equipa empatou (1-1) com o New York City, a decisão da eliminatória foi para os pontapés de penalty e quem segue para os quatros de final da MLS é a equipa do português. Onde também joga João Moutinho.

E lá por fora vai continuar o futebol português nos próximos dias, com o regresso das competições europeias. Em Marselha, amanhã à noite, frente à equipa orientada pelo homem que sonha um dia ser presidente do FC Porto, André Villas Boas, jogam os dragões para a Champions, jogo em que uma vitória da formação de Sérgio Conceição escancara as portas da fase seguinte, mas pontuar é fundamental. No dia seguinte, em Glasgow, jogo que a SIC transmite em direto (20 horas), o Benfica procura, igualmente, frente ao Rangers, dar um passo em frente rumo ao apuramento na Liga Europa, mesmo sem poder contar com Darwin Nuñez, a recuperar da Covid19.

HAALAND, O NOVO “GOLDEN BOY”

As últimas linhas são dedicadas a um miúdo que tem um jeito danado para marcar golos e que podia estar no futebol português, pois foi indicado por Manuel Fernandes à direção do Sporting, de Bruno de Carvalho, quando jogava no Molde, mas as suas opiniões não foram ouvidas. Refiro-me a Haaland, jovem ponta de lança norueguês, de 20 anos, que hoje representa o Dortmund e sucede a João Félix na conquista do prestigiado troféu italiano “Golden Boy”, tendo batido por larga margem Ansu Fati (Barcelona), Alphonso Davies (Bayern), Jadon Sancho (Dortmund) e Eduardo Camavinga (Rennes).

Só para se ter uma ideia, Haaland foi a meio da época passada do Red Bull Salzburgo, da Áustria, e levava no bolso excelente cartão de visita: 29 golos em 27 golos. E mantém a média no Dortmund: em pouco mais de ano e meio na Alemanha, nos 30 jogos já realizados marcou… 31 golos. Quatro deles no último fim de semana, em Berlim, frente ao Hertha, jogo que a sua equipa venceu por 5-2 (o outro golo foi do português Raphael Guerreiro). Veja-se bem se os dirigentes têm ouvido o segundo maior goleador da história do Sporting, com 257 golos…

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