Opinião

Os Óscares não serão virtuais

A cerimónia dos Óscares de 2021 está marcada para o dia 25 de abril

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Na situação de pandemia, particularmente gravosa nos EUA, como se poderão realizar os Óscares? Um representante da Academia de Hollywood garante que o essencial não vai mudar: a cerimónia terá lugar no Dolby Theatre.

Será que a cerimónia dos próximos Óscares, agendada para 25 de abril de 2021, terá lugar no Dolby Theatre? De acordo com uma informação obtida pelo “Variety”, a consagrada “bíblia” de Hollywood, a questão não é essa. O que está a ser discutido é diferente. A saber: com a situação de pandemia, particularmente gravosa nos EUA, quantos lugares poderão estar disponíveis na sala do majestoso edifício que alberga os Óscares desde 2002?

Dito de outro modo: um representante da Academia de Artes e Ciência Cinematográficas de Hollywood garantiu que os Óscares "não serão virtuais" e que, como é tradição, poderemos assistir a uma “transmissão televisiva com pessoas”. Resta saber que pessoas. E quantas pessoas.

Assumindo uma posição semelhante à do Festival de Cannes, a Academia tem mantido o anúncio dos mais famosos prémios de cinema do mundo como uma cerimónia “ao vivo”, resistindo à hipótese de um evento realizado apenas através dos recursos de comunicação pela Net. Aliás, o avanço da data de realização para o mês de abril (este ano, a cerimónia teve lugar no dia 9 de fevereiro) resulta dessa vontade de continuar a apresentar os Óscares como um espectáculo de palco.

Em consequência de tal mudança, as outras entidades que atribuem prémios de cinema alteraram também o seu calendário. Por exemplo, a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood reprogramou os Globos de Ouro para 28 de fevereiro, enquanto os BAFTA avançaram para 11 de abril.

Na prática, está em jogo a manutenção de todo um aparato de celebração, essencial na história e na mitologia do próprio cinema. Com a particularidade de, desta vez, muitos dos principais candidatos terem sido produzidos, não pelos grandes estúdios de Hollywood, mas por plataformas de streaming como a Netflix ou a Amazon. Em qualquer caso, através de tais contrastes, o que persiste é o cinema como indústria e comércio, numa palavra, cultura — este video da Academia resume tal visão.