Opinião

“Há um ano esta candidatura de Marcelo seria um passeio, e agora não é”

Ricardo Costa analisa a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

Ricardo Costa, diretor de informação da SIC Notícias, analisa o anúncio de recandidatura à Presidência da República, feito esta segunda-feira por Marcelo Rebelo de Sousa. Durante o discurso, o atual Presidente afirmou que “quem avança para esta eleição é exatamente o mesmo que avançou há cinco anos” e garantiu que não vai “sair a meio de uma caminhada exigente e penosa”.

“É o mesmo no sentido em que as pessoas, de facto, conhecem-no”, explica Ricardo Costa na Edição da Tarde da SIC Notícias. O jornalista afirma que o facto de ser conhecido pode ser “o seu grande trunfo", mas "também pode ser o seu grande problema, para alguns eleitores”.

O diretor de informação lembra que a popularidade do atual Presidente da República tem vindo a cair desde 2019, mesmo continuando a ser o político mais popular em Portugal. “É um presidente que parte para a tentativa de reeleição sem ser na sua máxima força”, afirma.

Quanto ao “grande momento penoso e difícil”, Ricardo Costa explica que o atual Presidente se referia à situação pandémica que Portugal atravessa e irá também impactar a economia do país durante os próximos anos.

“Há um ano esta candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa seria um passeio, e agora não é um passeio. Porquê? Primeiro porque houve uma pandemia, porque a situação económica passou a ser altamente complexa, a imprevisibilidade reina. Já se percebeu que os próximos dois anos, pelo menos, vão ser muito complicados, que esta crise, mesmo que tenha uma recuperação relativamente rápida, vai ter uma recuperação profundamente assimétrica”, explica.

Ricardo Costa lembra ainda que “o clima de confiança política está-se a esboroar”, com o aumento da dificuldade do Governo em chegar a acordo com os partidos com assento parlamentar. Também o aumento das intenções de voto no partido Chega, que nas eleições legislativas elegeu um deputado com cerca de 1% dos votos, será também um obstáculo para a candidatura de Marcelo.

“Nas Presidenciais provavelmente vai ter uma votação muito superior. E esta é, se quisermos, a grande diferença nestas Presidenciais. Há um elefante na sala que se chama André Ventura”, afirma o jornalista.

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