Opinião

Está aVARiado o reino da arbitragem

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

O futebol português parece não conseguir sobreviver sem uma boa polémica. Porém, desta vez, olhando-se ao que se passou na jornada do fim de semana da Liga principal (nas outras competições ainda deve ser pior…), assistem aos clubes e praticantes razões suficientes para estarem desconfiados, por uma ferramenta útil, quase fundamental, o VAR, que deve ter por objetivo único contribuir para total clareza no que à verdade desportiva diz respeito, se estar a tornar num pesadelo.

Em boa verdade, houve “mosquitos por cordas” nos jogos em que participaram as quatro equipas candidatas ao título, de forma mais evidente no jogo de Famalicão, onde esteve o Sporting – tomou proporções desajustadas posteriormente depois da inflamada intervenção do presidente do clube, não só pelo ataque a tudo o que disse respeito à arbitragem, mas pelas insinuações feitas -, mas também no Dragão (dois penalties sonegados aos portistas), na Luz (o golo do Paços de Ferreira foi irregular) e até no Jamor, no Belenenses SAD-Sp. Braga, onde ficou por marcar um castigo máximo contra os minhotos. Tudo somado, qual é a solução, se é que há solução?

CA NÃO PODE FICAR MUDO!

Por mais razões que possam existir, não me parece equilibrado um clube vetar um árbitro, como pretendem os leões relativamente a Luís Godinho, mas já me parece tempo de haver mudanças no Conselho de Arbitragem, que abriu uma caixa de pandora, mais de cinco anos depois, ao defender a decisão do juiz de Famalicão (golo anulado a Coates) – a partir de agora sempre que houver uma “caldeirada”, seja lá em que jogo for, não pode ficar mudo. Acho mesmo, e não é de agora, que Fontelas Gomes (líder do CA) não tem perfil para o cargo, mas como mantém a confiança de Fernando Gomes (presidente da FPF) parece estar para durar… Depois, o problema dos VAR tem quase tudo a ver com a qualidade de quem desempenha a tarefa. Alguém entende que quem foi árbitro medíocre toda a vida pode ser um bom VAR só porque tem uma dezena de televisores à sua frente?

Duarte Gomes, antigo árbitro internacional e comentador de arbitragem da SIC, defendeu recentemente num programa “Jogo Aberto”, quando questionado sobre o assunto, que não é fundamental que um antigo árbitro seja VAR. Então, porque espera a FPF para realizar um concurso público que permita a candidatura de cidadãos interessados no fenómeno? Percebo porquê: podia colocar-se um ponto final no corporativismo arbitral. Já agora, toda a razão a Jorge Jesus: enquanto não se sentarem à mesa os intervenientes principais do futebol, treinadores e futebolistas, os protocolos estarão sempre ocos de opiniões fundamentais. Enquanto isso não for uma realidade… a arbitragem continuará aVARiada. E isso é péssimo para uma indústria em sofrimento com a pandemia.

PORTUGAL A CAMINHO DE NOVO MUNDIAL

Enquanto o setor arbitral não for alvo de profunda remodelação, a bola tem de continuar a rolar. A meio da semana com a derradeira jornada das competições europeias, onde as equipas nacionais cumprem calendário, pois já estão todas apuradas – o FC Porto na Grécia, para a Champions, com o Olympiakos, o Benfica desloca-se à Bélgica para defrontar o Standard Liège e o Sp. Braga recebe o Zorya, na Liga Europa – a partir de sexta-feira, e durante quatro dias (mais dois jogos na antevéspera de Natal), teremos a 4.ª ronda da Taça de Portugal e já em 2021 começa a caminhada lusa rumo à fase final do Mundial do Catar, em 2022.

O apuramento terá lugar entre 24 de março e 11 de novembro de 2021, e a formação liderada por Fernando Santos tem por parceiros de grupo Sérvia, Rep. Irlanda, Luxemburgo e Azerbaijão. O que quer dizer, com todo o respeito pelos rivais, que Portugal não se apura diretamente – como vem acontecendo ininterruptamente desde 2002 – se adormecer. Tendo em conta o perfil exigente do selecionador…

DONGMO VAI AOS JOGOS OLÍMPICOS

Nasceu nos Camarões, mas em boa hora decidiu tornar-se portuguesa. Falamos de Auriol Dongmo, atual recordista do lançamento do peso (19.53 metros), que no Grande Prémio do Brasil, em São Paulo, conseguiu o passaporte para os Jogos Olímpicos de 2020 (só se realizam no que vem), em Tóquio, no Japão, ao superar, por 7 centímetros, o mínimo exigido pela federação da especialidade, com 18.57 metros. Dongmo tornar-se na 35.ª atleta portuguesa apurada, a 8.ª no atletismo.

PÉREZ, SCHUMACHER E OGIER – DIAS DE GLÓRIA

Foi o chamado domingo de sonho para três figuras do automobilismo: Sergio Pérez, piloto mexicano de F1, que defende as cores da Force India e ainda não tem monolugar para a próxima temporada (fala-se que pode interromper a carreira) depois de 10 anos na especialidade, conseguiu, ao fim de 190 GP, a primeira vitória, no circuito de Sakhir, e tornou-se no segundo piloto do país a consegui-lo, depois de Pedro Rodriguez, que havia conseguido feito semelhante há 50 anos (na África do Sul). Refira-se que o Mundial de F1 termina no fim de semana, no Abu Dhabi e ainda não é certo que Lewis Hamilton esteja de regresso, uma vez que o campeão mundial testou positivo à Covid19 e já não esteve no GP que consagrou Pérez e deixou a Mercedes à mercê de múltiplas críticas pelas opções assumidas e que retiraram a Bottas e Russell, a possibilidade de vencer a prova.

Mick Schumacher, que ingressa na principal categoria do automobilismo pela porta da Haas, despediu-se da melhor maneira da F2, conquistando o título mundial, também no Bahrain. O filho do mítico Michael Schumacher – como ele daria para ter saúde e assistir a este feito do seu rebento!... – até ficou muito classificado na derradeira corrida (18.º), mas esse lugar foi suficiente para chegar ao título, uma vez que o seu principal rival, Callum Illot, não foi além da 10.ª posição.

Finalmente Sébastian Ogier, que conquistou, pela 7.ª vez o título mundial de ralis, ao triunfar no Rali de Monza. O sucessor natural do anterior dominador da especialidade, Sebastien Loeb (9 títulos), conquistou o galardão ao volante de um Toyota Yaris.

MIGUEL OLIVEIRA: CAMPEÃO DE VÁRIAS MANEIRAS

O novo menino bonito dos portugueses, o motociclista Miguel Oliveira, potencial candidato à conquista do título mundial de Moto GP, saiu à campeão da equipa que representou nas duas últimas temporadas, a Tech3: ofereceu um relógio personalizado a todos os elementos (a mesmo todos) da equipa com quem conviveu e que o viram conquistar duas provas, a última das quais recentemente em Portimão, ele que na próxima época representará a equipa de fábrica da KTM. Ou seja: já só lhe falta o cetro mundial, pois Oliveira tem-se mostrado campeão de várias maneiras.

► A PÁGINA DO MATCH POINT

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