Opinião

Felicidade de Portugal em 2021!

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Aí está 2021! O ano que todos, mesmo todos desejamos que seja o do regresso à normalidade no Universo, esperançados que o esforço coletivo que tem sido feito apresente resultados, que as várias vacinas contribuam para o erradicar definitivo de um vírus maldito que fará para sempre parte do nosso léxico e tantas vidas roubou, muitas, infelizmente, de gente próxima ou que fazia parte do nosso quotidiano. Como Diego Maradona, Vítor Oliveira, Reinaldo Teles, Paulo Gonçalves, Kobe Bryant, Paolo Rossi, Gérard Houllier ou o meu querido companheiro Carlos Machado.

Mas, com frieza e sem hipocrisia… a vida segue. E na perspetiva de que 2021 proporcionará as condições mínimas razoáveis para que o Desporto cumpra a sua função, acredito que o nome de Portugal, coletiva e individualmente, tem tudo para ombrear com os melhores dos melhores nas mais variadas modalidades, a começar, obviamente, pelo futebol – opto por valorizar aquilo que espero da Seleção Nacional, mas não perco de vista a possibilidade de esta Liga, no que diz respeito à luta pelo título, ser a mais discutida das últimas duas décadas, por força do crescimento sustentado de Sporting e Sp. Braga, que se juntam aos crónicos FC Porto e Benfica, ficando na expetativa de perceber se esta será a última época de CR7 na Juventus, se José Mourinho voltará a conquistar a Premier League ou se Bruno Fernandes fará, como já se perspetiva, história no Man. United.

EM DEFESA DO TÍTULO EUROPEU…

A pandemia obrigou a UEFA a transferir para este ano a fase final do Campeonato da Europa de futebol. Portanto, Portugal só agora poderá defender o título conquistado em 2016, em França, e pode (e deve) fazê-lo entre 11 de junho e 11 de julho, mesmo estando num grupo complicado, composto por França, Hungria (jogos em Budapeste) e Alemanha (desafio em Munique), num modelo organizativo diferente do normal, uma vez que serão 12 as sedes a receber jogos – Londres, Roma, Baku, Munique, São Petersburgo, Amesterdão, Bilbau, Bucareste, Budapeste, Copenhaga, Glasgow e Dublin -, disputando-se o jogo de abertura no Estádio Olímpico de Roma e a final em Wembley.

Mesmo com as dificuldades que se adivinham, a perspetiva de passagem às fases decisórias é imensa. Porque se apuram os dois primeiros de cada, mais os quatro melhores e terceiros, mas muito especialmente porque Portugal tem no presente um lote de futebolistas de reconhecida qualidade mundial. E não é apenas Cristiano Ronaldo, indiscutivelmente o seu maior expoente. Aliás, um dos bons problemas que prevejo vá ter Fernando Santos é escolher o grupo que atacará a defesa do título. Estando todos os disponíveis em boas condições físicas – com o desgaste da época nem sempre é possível ter toda a gente no máximo -, aceitando-se, até, que o selecionador tem a coluna vertebral da equipa mais do que eleita, vai ser… uma festa. Mais uma coisa: o desaire com os franceses na Liga das Nações foi forte alerta. Conhecendo-se quanto o responsável é perfecionista… é difícil que se repita o mesmo erro duas vezes. Logo, Portugal está entre os favoritos para conquistar a competição. O que seria, mais do que inédito… brutal!!!

…E NO ARRANQUE DO MUNDIAL

As alterações sofridas nos calendários competitivos como resultado das dificuldades porque passa o Mundo, fazem com algumas competições se confundam. Como acontece com a fase eliminatória do Campeonato do Mundo de 2022, que terá lugar no Catar, entre 21 de novembro e 18 de dezembro. Não, não se trata de nenhum erro de simpatia. Tem tudo a ver com as condições climatéricas que se são oferecidas por aquele país. Realidade que obriga a novas alterações nas competições das épocas 2021/22 e 2022/23, que a seu tempo se conhecerão.

Olhando-se aos parceiros de apuramento – Sérvia, Rep. Irlanda, Luxemburgo e Azerbaijão – não colocar Portugal no topo da candidatura seria menosprezar o valor do selecionado. É verdade que é necessário competir, só em situações excecionais as equipas o conseguem ser ir a jogo (como é caso do Catar), mas os lusos são favoritos ao apuramento direto. Que se inicia a 24 de março, em casa, com os azeris, e finaliza a 14 de novembro, também em Portugal, com os sérvios. Pelo meio, como se percebe, há a fase final do Europeu…

JANEIRO É MÊS DE ANDEBOL

Com Lisboa a assumir já neste 1.º de janeiro o estatuto de Capital Europeia do Desporto, manifestação da responsabilidade da edilidade – que teve de ser alterada em alguns propósitos devido à calamidade -, este mês pode trazer sorrisos ao País no andebol, que estará presente no respetivo Mundial. Portugal não é uma potência, mas já é uma bela seleção. Obra da respetiva federação, dos jogadores – cada vez mais competitivos pelo facto de muitos deles jogarem em grandes campeonatos – e, muito particularmente, do “mister” Paulo Jorge Pereira.

Depois do sucesso que foi o Europeu, é tempo, então, de Mundial, no Egito, entre 13 e 31 deste mês. Portugal tem por adversários na primeira fase Islândia, Argélia e Marrocos e não passa pela cabeça de ninguém, com todo o respeito pelos rivais, não ver o selecionado na fase que dá acesso às principais posições. Até porque se apuram três equipas de cada grupo e os 24 apurados formarão quatro novos grupos de seis formações.

F1 DAS MOTOS E DOS AUTOMÓVEIS

A F1 das motos – este mês há também o mítico Dakar, de triste memória para Portugal com a morte de Paulo Gonçalves no ano passado – tem um nome em 2021: Miguel Oliveira. Depois dos brilharetes conseguidos na última época, a subida à equipa principal da KTM e a ambição tantas vezes evidenciada pelo piloto de Almada, fazem-nos crer que sim, que o português pode, no mínimo, lutar por tão sedutora conquista. O calendário ainda é provisório, mas está previsto que a época se inicie no final de março, no Catar, terminando 20 corridas depois em Valência, a 14 de novembro, provavelmente sem passagem por Portugal, embora a data de 11 de julho esteja em aberto. Oliveira terá muitos rivais na vontade de ser campeão, mas o principal será o fenomenal Marc Márquez, que em 2020 quase não competiu devido a várias lesões.

Já na verdadeira F1, continua por resolver a continuidade de Lewis Hamilton na Mercedes – 7 vezes campeão mundial, 266 Grandes Prémios, 95 vitórias, 98 “poles”, 165 pódios -, mas deve olhar-se para ele como principal candidato a novo título. Porém, o que mais importa é saber se o “circo” regressa a Portugal. A data (histórica para o País) de 25 de Abril ainda não está preenchida e Portimão continua a achar que é possível repetir a organização. Desta feita sem limitação de adeptos… seria do “outro mundo”.

PS: Começa hoje um Novo Ano. Que todos desejamos seja o do regresso ao que de bom tínhamos e desprezávamos. Por isso só pretendo fazer um voto: que haja Saúde. É que o resto virá por acréscimo.

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