Opinião

Sessão de Cinema: “Ma Rainey: A Mãe do Blues”

Viola Davis (à esquerda, Chadwick Boseman) no papel de Ma Rainey: memórias musicais e históricas

Será que o actor Chadwick Boseman pode ganhar um Óscar póstumo? Ele é um dos nomes em destaque, a par de Viola Davis, na adaptação da peça de August Wilson sobre a lendária cantora de blues Ma Rainey.

Será este ano que as plataformas de streaming vão vencer os principais Óscares da Academia de Hollywood? Eis uma pergunta, mais do que isso, uma séria hipótese que está a ser formulada pelos analistas americanos da indústria. Nesta conjuntura de pandemia, uma coisa é certa: com filmes melhores ou piores, o maior número de estreias de 2020 aconteceu, não nas salas, mas online.

“Ma Rainey: A Mãe do Blues”, produzido e difundido pela Netflix, é um dos óbvios candidatos. Há mesmo quem considere que pode ser atribuído um Óscar póstumo a Chadwick Boseman, no papel de um trompetista da banda de Ma Rainey (1886-1939). Se tal acontecer, Boseman (falecido, vítima de cancro, a 28 de agosto de 2020, contava 43 anos) será o terceiro intérprete a receber uma distinção póstuma — aconteceu em 1977, com Peter Finch (melhor actor em “Network”), e em 2009, com Heath Ledger (melhor actor secundário em “O Cavaleiro das Trevas”).

Ma Rainey é uma figura lendária na história do blues: nela se cruzam a espantosa energia das interpretações e a força da sua personalidade, resistindo a todas as formas de marginalização dos afro-americanos. O seu papel está entregue à hiper-talentosa Viola Davis, também ela um nome a ter em conta na corrida aos Óscares.

Realizado por George C. Wolfe, “Ma Rainey: A Mãe do Blues” adapta um texto teatral de August Wilson (1945-2005), dramaturgo que também escreveu, por exemplo, a peça “Fences/Vedações”, adaptada ao cinema em 2016 por Denzel Washington, na dupla condição de realizador e intérprete. Quem com ele contracenava era Viola Davis, aí distinguida com um Óscar na categoria de actriz secundária.

Netflix