Opinião

Jesus regressa à casa de partida

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Desde que regressou ao Benfica, Jorge Jesus ainda não encontrou o conforto que o levou na primeira passagem a estar seis anos no clube. A ponto de, em certos círculos, a contestação já ser indesmentível. Particularmente, até, por parte de alguns dos mais grados nomes do clube, casos de Toni, António Simões ou José Augusto. Para isso muito terá contribuído, quando se olha à produtividade encarnada, a arrogância verbal de JJ, uma vez que a equipa que dirige está longe de jogar o triplo ou arrasar como prometeu no dia da apresentação. Da outra vez ficou-se pela célebre frase “estes jogadores vão jogar o dobro”, mas agora foi demasiado otimista e as coisas não têm corrido de feição. Tudo porque já se sabe que o futebol não é como a matemática e ninguém ganha sempre, sempre.

Mesmo assim, sem a tão propalada nota artística, outra frase tão cara ao técnico, o certo é que o Benfica continua presente em todas as competições – na Liga está a quatro pontos do Sporting, mas faltam 21 jogos; está no quarteto que vi discutir a Taça da Liga; apurou-se para a fase a eliminar da Liga Europa; está na Taça de Portugal – e é sempre candidato a conquistar tudo. O pior é que mesmo nas fases mais complicadas toda a gente quer ópera e nem sempre é possível. De qualquer forma, mais do que os desempenhos, aquilo que mais se vira contra o treinador é o discurso.

E é de Taça de Portugal que se deve falar, pois nesta terça-feira os encarnados vão ao recinto que durante muitos anos foi a casa do ex-futebolista e hoje treinador de sucesso Jorge Jesus, o Estrela da Amadora, ele que nasceu para o futebol nos amadorenses, na época 1970/71, tinha então 16 anos, embora tivesse sido longe da sua zona de nascimento que se afirmou como profissional. Ou seja, JJ está mesmo de regresso à casa de partida.

O mais provável, ainda que se admita alinhe com uma equipa diferente da habitual, é que o Benfica continue a prova. O contrário teria contornos de escandaloso e Jesus, admitindo-se que lá no íntimo possa estar dividido – para surpresa de muitos afirmou recentemente que o clube do seu coração é o Estrela -, não quer perder a oportunidade de se perfilar como forte candidato a conquistar novamente o troféu, conquistado precisamente pelo Benfica numa final frente ao Rio Ave, depois de anteriormente, pelo Belenenses, ter sido derrotado pelo Sporting.

Jorge Jesus não tem sentido, reafirmamos, o conforto da primeira passagem pela Luz. Faltam-lhe os resultados, mas ainda vai muito a tempo de arrepiar caminho. Se essa realidade não se verificar, nunca se sabe qual será o seu futuro no clube. Embora no final da semana se pressinta que vai estar outra vez muito pressionado, ou não jogasse o Benfica com o FC Porto, no Dragão. E nos últimos tempos, como se verificou em Aveiro no mês passado, os portistas têm sido bem mais poderosos.

PORTUGAL NO MUNDIAL DE ANDEBOL

Com o apuramento para a fase final do Europeu praticamente garantido, apesar da surpreendente (pelos números e depois de 25 minutos de alta qualidade) derrota na Islândia, a seleção nacional de andebol inicia esta quinta-feira, frente a estes mesmos islandeses, a sua prestação no Campeonato do Mundo, que tem lugar no Egito entre a tarde de amanhã e dia 31, altura em que se conhecerá o novo campeão ou não: a Dinamarca, vencedora da última edição da competição, em 2019, está presente e tem tudo para defender com êxito o título.

As possibilidades dos portugueses são imensas. Não só porque o Grupo é acessível e passam os três primeiros – Islândia, Marrocos e Argélia -, mas muito especialmente pela qualidade desta nova geração de andebolistas, liderada por Gilberto Duarte, Quintana, Salina, João Ferraz ou Pedro Portela, mas igualmente pela juventude de André Gomes, Luís Frade, Diogo Silva ou Miguel Martins. Portugal não é favorito a ficar entre os primeiros, mas repetindo os desempenhos do Europeu tem tudo para conseguir uma bonita classificação. Daí desejar-se que o que se passou domingo na Islândia tenha sido apenas… um acidente de percurso no crescimento desta belíssima equipa, liderada por Paulo Jorge Pereira.

FORMULA1 REGRESSA(RÁ) A PORTIMÃO

O agravamento da pandemia levou a que já tenham sido adiados dois Grandes Prémios: o de abertura, na Austrália, a 21 de março, e o da China, a 11 de abril. Assim, a prova de abertura do Mundial será no Bahrein, a 28 de março, e como ficou vaga aquela data de abril, a possibilidade de Portugal poder acolher, em Portimão, a competição surge como muito forte.

Depois do êxito que foi a prova organizada pela entidade algarvia no último ano sempre se ouviu dizer nos bastidores do “circo” que Portugal seria hipótese para organizar novamente o GP. Inclusivamente, o fim de semana do “25 de Abril” ainda não está preenchido, mas pode perfeitamente acontecer que, a haver corrida, possa ser na data que estava destinada à China.

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