Opinião

Cartão amarelo ou vermelho? Nenhum dos dois. Hoje é sobre o cartão branco!

Inês M. Borges

Duarte Gomes

Duarte Gomes

Comentador SIC Notícias

Pode ser chato, mas hoje não vou falar de penáltis polémicos, golos mal anulados ou decisões dúbias, subjetivas.

Hoje vou falar-vos de um dos lados bons do futebol português (e o futebol português também tem facetas muito positivas, que merecem ser valorizadas): o "Cartão Branco".

O cartão branco, ao contrário do vermelho ou do amarelo, não pune nem sanciona. O cartão branco premeia.

Premeia condutas e comportamentos. Premeia gestos e exemplos. Premeia posturas. Posturas que devem ser elogiadas, aplaudidas, repetidas.
Posturas protagonizadas por jogadores, treinadores, responsáveis ou adeptos.

E porque é importante dar corpo e rosto ao que é bom - e isto, acreditem, é muito bom - importa salientar que a iniciativa foi lançada pelo Plano Nacional de Ética Desportiva (PNED), pelas mãos do seu coordenador e maior dinamizador, José Lima.

Desse lado, poderão perguntar-me: "Qual a necessidade de criar um cartão que nunca esteve previsto nas leis de jogo?"

Bem, a dada altura, percebeu-se que alguns valores do desporto estavam a caminhar para um buraco sem fundo. Os atos de indisciplina aumentavam perigosamente dentro e fora do terreno de jogo. As palavras incendiárias e os comportamentos violentos também.

Isso levou à necessidade de se fazer alguma coisa. À necessidade de se tomarem medidas simples mas impactantes. Medidas que fossem diferenciadoras e que de algum modo promovessem uma cultura desportiva com mais ética, lealdade e respeito. Mais se pensou, melhor se fez.

Passado este tempo, o cartão branco está mais do que consolidado e respira saúde. À iniciativa já aderiram entretanto várias dezenas de entidades desportivas, que permitem e incentivam o seu uso na esmagadora maioria das suas competições.

Estamos a falar de associações de futebol, coletividades e federações desportivas.

A Federação Portuguesa de Futebol há muito que se juntou a esta vasta equipa, estreando o modelo no Torneio Lopes da Silva, em 2016.

Os números entretanto recolhidos são promissores. Revelam que jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos aplaudem e apoiam a ideia.

E revelam algo ainda mais importante: que nas competições onde existe o cartão branco, a indisciplina decresceu vertiginosamente. No futebol, por exemplo, há menos amarelos e vermelhos exibidos, menos suspensões disciplinares, menos problemas com o público e entre o público (cenário pré-covid).

O "Cartão Branco" é a prova provada que pequenos gestos podem fazer grandes diferenças.

Nos dias que correm, ficar de fora disto já não faz sentido. Fica o repto a todas as entidades/associações desportivas que ainda não o fizeram, para que adiram a esta iniciativa. E fica também o desafio para que cada um de nós, individualmente, possa ser merecedor de ver o mais bonito dos cartões em todos os momentos das nossas vidas.

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