Opinião

Sessão de Cinema: “A Ultrapassagem”

Jean-Louis Trintignant e Vittorio Gassman: pelas estradas de Itália, em 1962

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Dino Risi é um dos vários e muito talentosos artesãos da história moderna da produção cinematográfica de Itália: com Vittorio Gassman e Jean-Louis Trintignant, este é um dos seus filmes mais perfeitos.

Eis uma transformação no mercado cinematográfico português que vale a pena voltar a referir. Assim, nos últimos anos, graças à acção da Festa do Cinema Italiano, e também às escolhas de alguns distribuidores e exibidores, tem sido possível reavivar a presença do cinema italiano nos circuitos portugueses. Inclusive nas plataformas de streaming: “A Ultrapassagem” (1962) é um dos títulos que merece ser redescoberto (foi “relançado”, em 2016, no Festival de Cannes).

Falamos, afinal, não de um dos mestres consagrados (Fellini, Antonioni, etc.), mas sim de Dino Risi (1916-2008), um dos muitos cineastas clássicos da produção italiana que, com o seu saber, de uma só vez artesanal e sofisticado, nos legou uma visão crítica da sociedade italiana, em particular ao longo das décadas de 60/70.

Além do mais, “A Ultrapassagem” marca o encontro de dois admiráveis actores, um italiano, outro francês: Vittorio Gassman e Jean-Louis Trintignant interpretam, respectivamente, um quarentão que faz questão em comportar-se como irresistível “conquistador” do sexo feminino e um estudante de direito, de uma timidez que contrasta com os impulsos do seu companheiro de viagem.

Através dos cenários de Roma e da Toscânia, os dois vivem, afinal, um conto moral, pleno de contrastes dramáticos, pontuado por um humor desconcertante. Dino Risi elabora um genuíno retrato social, colocando em cena as singularidades individuais e os valores colectivos — tudo num contexto em que, para o melhor ou para o pior, todas as relações tradicionais entre homens e mulheres estavam em processo de transformação.

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