Opinião

Quem será o “Campeão de Inverno”?

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Jovane Cabral, com dois golos em oito minutos - ele que saltou do banco e 60 segundos após a entrada no relvado viu o Marega dar vantagem ao FC Porto, disparo feliz que parecia ser suficiente para garantir a final – tornou-se na figura maior da primeira meia-final da Taça da Liga ao colocar os leões no decisão de amanhã, jogo muito marcado, antes e depois, pelos “desencontros”, digamos assim de uma forma nada especulativa, entre Sporting, Unilabs (laboratório que faz os testes à Covid), ARS Leiria e Direção Geral da Saúde, que continua à espera de nova posição oficial da entidade já referida.

Ricardo Horta, que na última edição da competição, mesmo em cima da hora, obteve o golo que roubou a possibilidade de os portistas conquistarem pela primeira vez o troféu, desta vez não marcou, mas fez os dois passes, carregados de açúcar, que Abel Ruiz e Tormena não regatearam, cabeçadas certeiras que derrubaram um Benfica dizimado, especialmente, no setor defensivo, por um vírus maldito que tanta desgraça nos continua a trazer.

O que quer dizer, da forma mais fácil que se conhece, que Sp. Braga e Sporting, dois dos emblemas que melhor futebol jogam em Portugal – o dos leões continua a garantir-lhe a liderança da competição principal – vão discutir em Leiria (com a SIC a transmitir em direto) a conquista do troféu e a pomposa designação de “Campeão de Inverno”, nomenclatura resultante do triunfo na competição, e que pertence aos minhotos, vencedores da prova na temporada passada, frente ao FC Porto, era seu treinador o atual comandante dos leões, Rúben Amorim.

PODE SER UMA GRANDE FINAL

Dizem os treinadores com presenças sistemáticas em finais, que as decisões são para ganhar, mais do que jogar bem ou dar espetáculo. Por isso, tantas e tantas finais são enfadonhas, amarradas, sem ponta de interesse, havendo mesmo equipas que por força do desnível de forças iniciam o jogo única e exclusivamente a pensar na resolução do encontro nas grandes penalidades. Otimista me confesso: tendo em conta a qualidade de quem vai discutir o troféu… podemos ter uma grande final.

Com base no que se passou nas duas meias-finais, sendo verdade que o Sporting-FC Porto foi demasiado tático, com poucas situações de golo, poucas individualidades e prevalecendo a segurança, com o correr de riscos a ser submergido pela vontade de não perder, o Sp. Braga-Benfica já teve outras nuances, até no plano tático, uma vez que os benfiquistas, por força de múltiplos problemas, apostaram numa arrumação defensiva assente em três centrais. Mais importante do que isso, foi a vontade de ir à procura do golo evidenciado pelos dois conjuntos, como resultado da qualidade de algumas das suas unidades mais ofensivas. Por isso, mesmo tendo só três golos como a outra final, teve muito mais situações de ataque e várias situações de golo.

Pois bem, dentro do tal otimismo já assumido, e porque os dois treinadores têm boas ideias de jogo – eventualmente a do Sporting, que tanto surpreendeu nos primeiros meses de época, pode agora ser mais fácil de detetar pelos adversários - e com gente de muita qualidade é de crer que possa haver um jogo rico em todos os seus patamares. É evidente que vencer será a atitude prioritária de cada equipa, podem surgir algumas amarras táticas, mas existem condições para o tal bom jogo. Até porque o Sp. Braga não ficou muito convencido com a derrota em Alvalade no jogo da Liga

MAIS UM TROFÉU PARA RONALDO!

Cristiano Ronaldo continua imparável, a poucos dias de comemorar 36 anos (5 de fevereiro), uma vez que nas últimas horas ganhou em Reggio Emilia, a segunda Supertaça italiana pela Juventus (2-0), contribuindo com um golo para o triunfo conseguido frente ao Nápoles, e foi eleito pelos adeptos, pela 15.ª vez (14 consecutivas desde 2007), para a “Equipa do Ano” da UEFA, relativa a 2020, formando o trio de ataque com Lewandowski e Neymar, com Messi a 10. De sonho!

O melhor futebolista português de todos os tempos conquistou, assim, o 33.º troféu da sua brilhantíssima carreira e ao apontar o golo 760 da carreira ficou a apenas dois de Josef Bican, lendário futebolista checoslovaco (nasceu na Áustria, mas optou pela nacionalidade checa). O que quer dizer, tão só, que nos próximos dias estaremos aqui, mais a vez, a salientar mais um feito de CR7, um futebolista inigualável.

PAULO SOUSA TREINA POLÓNIA

Outra excelente notícia para o futebol português é a contratação por parte da federação polaca de futebol do treinador Paulo Sousa. No desemprego desde o final da temporada 19/20, quando decidiu não prolongar a sua ligação ao Bordéus, Paulo Sousa está, sem dúvida absolutamente nenhuma, perante o maior desafio da sua carreira. Não só porque a Polónia é uma das boas seleções europeias – está na fase final do Euro-2020 que só terá lugar este ano e tem pela frente o apuramento para o Mundial do Catar – e integra excelentes futebolistas, a começar por Robert Lewandowski, a grande figura da última temporada.

Outro técnico que também está de volta ao ativo no estrangeiro é Ricardo Sá Pinto. Depois de passagem efémera pelos brasileiros do Vasco da Gama, uma aposta que parecia difícil de levar a bom porto o que se confirmou, é desde agora técnico dos turcos do Gazisehir Gaziantep, atual quarto classificado, com 34 pontos, a 7 do líder, Besiktas, quando ainda há por disputar 21 jogos. No novo emblema, Sá Pinto vai orientar futebolistas como André Sousa (ex-Belenenses), André “Balada” (ex-Sporting) e Kevin Mirallas (internacional belga que representou, entre outros, Everton, Olympiacos e Fiorentina).

VENHA DE LÁ A SUÍÇA!

Por um golo se perde, por um golo se ganha. Infelizmente, foi por um golo que Portugal sofreu a primeira derrota (28-29) no Mundial de Andebol, mas não foi frente a uma seleção qualquer: aconteceu com a Noruega, atual vice-campeão mundial. Um desaire que custou muito, pela forma como aconteceu – a equipa das quinas bateu-se de igual para igual -, mas que deixa claras as intenções lusas na competição. O que quer dizer que hoje, frente à Suíça, um triunfo coloca o selecionado mais perto da fase final, embora no domingo haja outro osso muito duro de roer: a França. Mas, um jogo de cada vez. Vamos acreditar, Portugal!

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