Opinião

“Heróis do Mar”, orgulho de Portugal!

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Permita-me, estimado leitor, que deixe o futebol para o final desta crónica – até porque a jornada da Liga só termina logo à noite, no Bessa, onde joga o líder Sporting, o “Campeão de Inverno” está encontrado, com o título a passar de Braga para Alvalade, e Cristiano Ronaldo não conquistou mais louros nas últimas horas – e dedique o seu início à belíssima participação da seleção de andebol de Portugal, apesar de ter sido derrotada no jogo que abria caminho às medalhas por uma França de nível superior.

Portugal, para quem acompanha minimamente a modalidade, fez um Mundial fantástico, conseguindo, até, aquilo que nunca havia sido possível: venceu quatro jogos derrotando, entre outras, Islândia e Suíça, helvéticos a quem nunca tinha vencido. E somou duas derrotas: a primeira por um golo frente à vice-campeã mundial em título, Noruega, a mais dolorosa com a França, que se não é o melhor selecionado mundial (juntamente com a Dinamarca) está lá muito perto. Dia 31 veremos se os franceses não estarão a discutir o título mundial…

O que quer dizer, tão só, que Portugal está hoje no patamar dos melhores – Alemanha, Rússia e Croácia, ex-campeãs mundiais, e Eslovénia ficaram pelo caminho – e tem uma equipa de largo futuro, com jovens de muita qualidade, casos de Miguel Martins, André Gomes, Cavalcanti, Branquinho ou Luís Frade, e uns mais experientes, caso dos quatro cubanos naturalizados (Quintana, Salina, Iturriza e Alexis Borges, a quem se pode juntar o sportinguista Pedro Valdés), mais Gilberto Duarte, Fábio Magalhães, António Areia ou Pedro Portela, e o “jovem” de 43 anos Humberto Gomes.

O “pai” desta equipa tem todos os motivos para acreditar num futuro com medalhas e mais vitórias. Refiro-me, naturalmente, a Paulo Jorge Pereira, o timoneiro desta nau a quem chamam “Heróis do Mar”. Sim, perder com a França, ainda por cima por aqueles números (23-32), deve ter doído, até porque não deixou margem de recuperação e esfumou-se a hipótese da equipa chegar aos quartos de final, mas não pode ser motivo para esmorecer. A perder também se aprende e basta ver o que aconteceu recentemente com os islandeses. E uma vez que em março, os lusos voltam a encontrar a França no pré-olímpico (mais croatas e tunisinos) – seguem os dois primeiros para o Japão – pode ser tempo de se acertarem contas e continuar vivo o orgulho que os portugueses de há muito têm neste fantástico grupo de andebolistas.

MOTOGP GARANTIDO EM PORTIMÃO

Está garantida: a terceira corrida do Campeonato do Mundo de MotoGP (a F1 das motos) vai ter lugar no Autódromo de Portimão, a 18 de abril – as duas primeiras provas terão lugar no circuito de Losall, a inaugural a 28 de março (GP do Catar), a seguinte a 4 de abril (GP de Doha) – havendo nesta altura, o que seria uma boa notícia a nível mundial, a esperança de que a corrida que no ano passado consagrou Miguel Oliveira desta feita possa ter público. Seria fantástico, como se compreende, sinal de que a pandemia estará a abrandar.

O circuito algarvio, aliás, estará antes daquela data nas “bocas do mundo”, uma vez que ali terá lugar, a 4 de abril, uma prova do Campeonato do Mundo de Resistência denominada de “8 Horas de Portimão”, em que dos atrativos será a presença do campeão mundial de LMP2, o português Filipe Albuquerque. E porque não há duas sem três, continua de pé a possibilidade de no início de maio poder ali ter lugar uma das etapas do Mundial de Fórmula 1, a exemplo do que aconteceu em 2020. Ou seja: Portimão, o Algarve e as entidades responsáveis têm todos os motivos para estarem de sorriso aberto!

BENFICA VOLTA A TROPEÇAR

Vamos lá, então, ao futebol. Hoje jogam líder (Sporting) e o quinto classificado (Sp. Braga) – que voltou a ser ultrapassado pelo surpreendente Paços de Ferreira, que bateu o Marítimo, no Funchal, por 3-0 -, mas já ontem jogaram os outros candidatos ao título. E se o FC Porto venceu e podia ter goleado em Faro (acabou com o credo na boca e uma cena caricata entre Pepe e Loum, e viu Manuel Mota perdoar-lhe uma grande penalidade, por mão de Corona), o Benfica voltou a marcar passo, ao empatar (1-1) no seu ambiente.

Jorge Jesus assumiu, e bem, que o Benfica foi o único culpado do desfecho, depois de ter entrado forte no jogo e ter estado em vantagem. O certo é que, como treinador também referiu, a equipa voltou a mostrar fragilidades que já se lhe viram noutros jogos… também em vantagem. O certo é que, na presunção de que o Sporting vence no Bessa (e está longe de ser um jogo tipo “favas contadas”), aumenta a vantagem para seis pontos e na noite de segunda-feira há “derby”. Para já, o FC Porto descolou dos encarnados e a pandemia não pode ser desculpa para todas as maleitas. Sim, há muitos jogadores de fora, mas o plantel benfiquista tem muita qualidade. O que quer dizer de um modo simplista: ou JJ encontra o antídoto ou a Luz pode virar… vulcão.

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