Opinião

Jorge Jesus e o “derby” eterno

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Um dos personagens mais mediáticos do espaço português tem sido capa de jornal, tem aberto noticiários televisivos, tem sido uma das principais notícias nos mais variados programas desportivos, na TV e na Rádio, e os motivos, infelizmente para ele, não se devem ao desempenho da sua profissão de treinador, mas sim a um problema de saúde. E mesmo quem não simpatiza com ele, espera seja passageiro – particularmente desejo que se recupere rapidamente, assim como todos aqueles que se encontram enfermos com o maldito vírus -, porque o futebol com ele de baixa… não é a mesma coisa. Sim, é a Jorge Jesus que me refiro que, quase continuadamente, faz parte do nosso quotidiano e vai estar alguns dias fora da nossa ótica. Até aqui o foco tinha a ver com os resultados que tanto prometera para o Benfica desta época e que tardam a suceder, agora por que está a braços com um problema respiratório… resultante da Covid.

Mas é imperativo que Jorge Jesus seja tema obrigatório desta crónica porque o Benfica vai segunda-feira a Alvalade a seis pontos de distância do líder Sporting, seu anterior clube em Portugal, e mesmo sem ele no banco a liderar, este é um dos mais importantes jogos da sua já longa carreira. Vou ser pragmático: se os encarnados perderem na casa do leão, poucas esperanças lhes restam de poder chegar ao tão desejado título, porque, ao mesmo tempo, o FC Porto também se distancia. E mesmo que aconteça um empate, que deve ser o desfecho que os dragões mais desejam, as contas ficarão difíceis... pois recuperar a diferença pontual para dois é complicado.

Ou seja: só mesmo a vitória relançará a equipa da Luz na competição, deixará a frente da Liga muitíssimo complicada, mas é necessário saber se este fantástico Sporting de Rúben Amorim está para aí virado. De certeza que não está, futebolisticamente tem sido a equipa mais forte da competição (a única que ainda não perdeu), mesmo quando joga ao nível, por exemplo, do que fez no Bessa, não se deixa abater com facilidade e, assim, se isto fosse fácil… diria que os leões são favoritos. Só que estamos em presença do “derby”, o eterno e mais apetecível jogo em Portugal (com todo o respeito por aquilo que tem feito o FC Porto…), e nem sempre o que parece é.

Mesmo não estando de regresso ao estádio onde passou três épocas, Jorge Jesus será o único mentor daquilo que o Benfica quererá do jogo. Nem podia ser de outra maneira. JJ que no seu currículo soma enquanto treinador dos dois rivais da noite de segunda-feira 23 derbies: 15 pelos encarnados, 8 pelos leões. E os números globais são excelentes: 13 vitórias, 7 empates e 3 desaires, com 36-16 em golos. E pelo Benfica… apenas perdeu uma vez. Portanto, o leão tem de estar vivo e esperto se não quer ser surpreendido. Até porque “mister” JJ gosta de jogos assim e mesmo não estando presente… a tática será dele. Como se provou recentemente no Dragão

FALTAM DOIS NA TAÇA DE PORTUGAL

Os outros dois candidatos a conquistar a Taça de Portugal da presente temporada serão encontrados esta noite e resultam dos desafios Sp. Braga-Santa Clara e Gil Vicente-FC Porto – minhotos e dragões são favoritos, mas esta competição é especial porque pode surgir sempre uma surpresa de última hora. Semifinalistas que serão adversários na ronda seguinte, a jogar em dois jogos – os jogos das meias-finais terão lugar a 10 de fevereiro e 3 de março -, uma vez que os outros dois candidatos, que também se encontrarão em dois confrontos, já estavam encontrados: o sensacional Estoril, que eliminou, no Funchal, o Marítimo, que havia eliminado o Sporting, e o Benfica que se superiorizou ao Belenenses SAD, com Rafa e Cervi em grande destaque.

Numa perspetiva eventualmente simplista, tudo aponta no sentido de que se encontrarão no jogo decisivo – espero que possa ser no Jamor, casa da final da prova, mas para isso acontecer o relvado, que já foi um dos melhores do País, tem de ser substituído, chegando até a ser incompreensível como a equipa de Petit ali continua a jogar… - Benfica e Sp. Braga ou FC Porto. Mas, lá está: se há prova fértil em surpresas é a Taça. Por isso é tão do agrado da maioria dos adeptos…

SUCEDERÁ ABEL FERREIRA A JJ?

Em novembro de 2019, a um sábado, como amanhã, o Portugal futebolístico parou para acompanhar a final da Libertadores, então discutida entre River Plate e Flamengo, equipa liderada por Jorge Jesus, que conquistou o troféu graças a meia-dúzia de minutos dramáticos na parte final do jogo. Agora, há outro português envolvido na conquista da competição, igualmente treinador: Abel Ferreira, que com as cores do Palmeiras, no Maracanã, vai tentar levar de vencida o Santos – onde joga o já confirmado benfiquista Lucas Veríssimo e teve como técnico no início de época o luso Jesualdo Ferreira.

Abel Ferreira não é tão mediático como Jorge Jesus. Percebe-se. Os discursos são diferentes, Ferreira é bem mais jovem do que Jesus, não tem o seu currículo e ainda tem muito caminho a percorrer, o Palmeiras é um grande do Brasil, mas não tem o peso e dimensão do Flamengo. Porém, existe uma possibilidade forte do mais jovem dos técnicos igualar o feito do atual responsável benfiquista, pois o “verdão” tem argumentos competitivos mais apelativos do que o seu rival do “peixe”. À partida, mesmo reafirmando que futebol não é matemática, é bem possível que chegue colateralmente ao futebol português mais uma conquista que de renome e que deixa marca.

FUTEBOL MUITO MAIS POBRE

Os últimos meses, dias, horas têm sido terríveis no que à morte diz respeito. Sejam familiares, amigos, apenas conhecidos ou simplesmente muitos daqueles que conhecemos dos grandes palcos, desportivos ou não, poucos são serão os que ainda não verteram uma lágrima. A confirmar o que escrevo, o futebol mundial perdeu nas últimas horas duas figuras que passaram pelo futebol português, um com mais êxito do que outro e com quem tive oportunidade de me cruzar.

O inglês John Mortimore e o checo Jozef Venglos eram dois senhores. Oriundos de culturas diferentes, mais austera a do segundo, mas dois senhores. Mortimore passou pelo Benfica em duas ocasiões e conquistou cinco troféus (2 Ligas, 2 Taças de Portugal, 1 Supertaça) e fica na história por ter perdido 1-7 em Alvalade. A verdade é que os encarnados, mesmo vergados ao peso de um desaire histórico, venceram esse campeonato. Venglos, por sua vez, não foi feliz no Sporting, mas o seu currículo como treinador era notável, particularmente depois de várias épocas a liderar a seleção da Checoslováquia. A passagem pelos leões fica marcada por ter lançado Paulo Futre com 17 anos na equipa principal. Infelizmente, com eles partiu uma certa forma de estar. Com fleuma…

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