Opinião

Liberdade para aprender

Alguns computadores são mais iguais do que outros ?

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

Editor de Novas Tecnologias

Quando era adolescente uma das experiências que mais marcou o que eu viria a ser foi ter experimentado brincar à programação com um velhinho Spectrum emprestado. Experimentei, falhei, corrigi, investiguei, aprendi.

No início da SIC Online houve muitas histórias fascinantes, estávamos todos a aprender. Foi menos simpático perceber que nem todos viam com bons olhos que uma jornalista estivesse a usar o computador e os programas de trabalho para editar vídeos de férias. O assunto acabou quando eu e o José Alberto Carvalho (essa fase era também diretor da SIC Online) fizemos um deliberado elogio, público, ao facto de estar a editar vídeo no local de trabalho, o que não era ainda habitual como agora. Não só era uma excelente jornalista, extremamente conscienciosa, que estava a usar o material nas horas livres, fora do seu horário, como estava na prática a aprender por si mais uma técnica que poderia ser muito útil à empresa. Hoje, editar nas redações é banal.

Quando era adolescente uma das experiências que mais marcou o que eu viria a ser foi ter experimentado brincar à programação com um velhinho Spectrum emprestado. Experimentei, falhei, corrigi, investiguei, aprendi.

Vem isto a propósito das limitações que se querem impor nos computadores entregues aos alunos pelo Estado. São computadores emprestados, que serão devolvidos, com uma série de limitações para que sejam usados apenas para a aprendizagem do programa oficial e para seguir o que os professores decidam.

Um dos pontos do compromisso para ter acesso aos computadores, impede a instalação de qualquer programa.

Um dos pontos do compromisso para ter acesso aos computadores, impede a instalação de qualquer programa.

Há muitos pais que podendo ou não, e este não é que é grave, optam por não receber estes computadores para não terem a responsabilidade e um eventual encargo se a máquina for danificada.

Portanto, os que têm dinheiro para terem as próprias máquinas, estão mais uma vez em vantagem, apesar do investimento do Estado e da União Europeia. Vão poder brincar, editar, programar, descobrir, investigar e aprender mais e melhor do que os que recebem um computador dos programas do governo. Este dinheiro destina-se a minimizar o fosso digital entre ricos e pobres e deve ser levado a sério. É muito importante para o país que os que forem dotados evoluam, libertando-se dos constrangimentos da condição financeira das famílias, quando menos favorecidas.

Para isso, estou disposto a pagar impostos de bom grado. Mas é preciso que a aparência de rigor e de não estar a supostamente entregar brinquedos caros não se sobreponha à missão de deixar aprender.

O computador só pode sair de casa para aulas, ou este texto é mais abrangente?

O computador só pode sair de casa para aulas, ou este texto é mais abrangente?

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