Opinião

Clássico com vista para o título

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

É hora de tocarem as trombetas do melhor espetáculo do mundo: na noite de amanhã, no Estádio do Dragão, na cidade do Porto, tem lugar um dos mais apetecíveis clássicos do futebol português, este, por força das circunstâncias, com vista para o título. Até pode parecer exagero, até pela diferença pontual, mas é precisamente por isso que este FC Porto-Sporting tem tudo para ser de capital importância na atribuição do cetro de campeão da Liga na temporada de 20/21.

O Sporting, indiscutivelmente a melhor formação da competição até este momento, possuidora de números condizentes com as de uma que quer ser campeão – é dos emblemas que lideram Ligas, juntamente com os escoceses do Rangers, que ainda não sofreu qualquer desaire somando, em 20 jogos, 17 vitórias e 3 empates, possui também a melhor defesa, com apenas 10 golos sofridos, e é o segundo melhor ataque, com 42 golos, atrás do rival deste sábado, que soma 45 – entra no recinto do campeão nacional com 15 pontos de vantagem, a faltarem 14 jornadas para o final. O que quer dizer, tão só, que se regressar a Lisboa sem perder, mesmo tendo ainda pela frente jogos complicados, ressaltando as viagens a Braga e à Luz, fica bem encaminhado para colocar ponto final num jejum que já dura desde 2001/02.

TODA A RESPONSABILIDADE AO CAMPEÃO

Nessa medida, e na perspetiva de que pode reacender-se a luta pelo título, encurtando-se a vantagem leonina para apenas 7 pontos, a responsabilidade pertence por inteiro aos portistas. Se se quiser, porque é sempre assim nestas situações, a maior parte das despesas vão ficar a cargo do conjunto liderado por Sérgio Conceição, um grupo normalmente talhado para jogos de alta intensidade e que encara as situações mais complicadas até à última pinga de suor. Só que desta feita, quem está do outro lado também evidencia esse predicado.

Assim, existe a perspetiva de um bom jogo, mais marcado, eventualmente, pela predominância do FC Porto, uma vez que ao Sporting servem dois resultados, com o aspeto tático a dominar. Se do lado dos leões já se sabe que atuará no 3x4x3 veremos se os portistas apostarão no 4x4x2 ou, quem sabe, no 4x3x3, embora fique a ideia de que deverá ser essa a matriz, num jogo em que já se sabe existir uma boa notícia para o lado leonino: João Palhinha não está impedido de jogar, desde que Rúben Amorim o entenda. E entenderá, estamos seguros.

Palhinha, aliás, é dos futebolistas que mais importância terá no jogo, uma vez que do lado contrário estará outro dos melhores médios da Liga: Sérgio Oliveira. Por outro lado, há também a expetativa de se perceber se Francisco Conceição, a nova coqueluche do futebol nacional, fará parte da equipa titular dos dragões. Parece-nos que não, mas se o treinador dos dragões quiser apostar na surpresa… Certa é também a inclusão de Tiago Tomás na condição de ponta de lança, uma vez que Paulinho está de baixa.

Portanto, estão criadas as condições essenciais para que o clássico tenha a importância que se lhe atribui, pois mesmo a 14 rondas do final da prova e com o Sporting com 10 pontos de vantagem, há muita coisa em jogo, como já deixamos entender. Bom seria que toda a gente interpretasse essa importância com o respeito que o jogo merece e que não houvesse casos de arbitragem. Mas isso também vai depender de quem o CA escolher para dirigir o jogo.

ADEUS TRISTE À LIGA EUROPA

Já só resta o FC Porto, na Liga dos Campeões, como representante de Portugal nas competições europeias, uma vez que Benfica e Sp. Braga deixaram ontem, de forma amarga (mais os encarnados) a Liga Europa. Na Grécia, no terreno do Olympiakos, casa emprestada do Arsenal, a equipa de Jorge Jesus até jogou um bocadinho melhor do que tem feito esta época, esteve em vantagem no marcador e na eliminatória (2-1 e 2-2), mas já muito perto do minuto 90, Aubameyang bisou e a equipa lisboeta ficou fora da competição, onde, depois de não ter entrado na Champions, era vista como potencial candidata à conquista do troféu.

Já em Roma, a equipa de Carlos Carvalhal avançava para tarefa bastante complicada depois do 0-2 em casa. Confirmaram-se as dificuldades, independentemente do bom desempenho minhoto: a formação de Paulo Fonseca provou ser melhor e ter outro tipo de soluções e voltou a vencer, agora por 3-1. Mesmo assim, deve referir-se que a prestação bracarense na competição foi muito positiva, especialmente na fase de grupos. Aliás, a equipa que venceu o seu agrupamento, o Leicester, também foi eliminada ontem: em casa, pelo Slavia Praga.

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  • 16:26