Opinião

Sessão de Cinema: “Sensibilidade e Bom Senso”

Emma Thompson com dupla tarefa em "Sensibilidade e Bom Senso": argumentista e actriz

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Nos anos 90, na moda dos filmes adaptados de obras literárias do século XIX, este foi um título que se destacou: um romance emblemático da literatura britânica surgia reinventado por um cineasta de Taiwan.

Com uma carreira originada na televisão e nos palcos britânicos, Emma Thompson é um talento há muito consagrado no cinema. Entre os muitos prémios que têm pontuado a sua carreira, destacam-se duas estatuetas douradas da Academia de Hollywood. O certo é que o seu nome não surge na lista oficial dos que já ganharam dois Óscares de interpretação… A explicação é simples (e nem sempre conhecida). Na verdade, ela só tem um Óscar de interpretação: melhor actriz em “Regresso a Howards End” (1992), de James Ivory; o outro foi ganho enquanto argumentista de “Sensibilidade e Bom Senso” (1995), adaptação do romance de Jane Austen realizada pelo cineasta de Taiwan, Ang Lee.

Disponível numa plataforma de streaming, “Sensibilidade e Bom Senso” ilustra uma certa moda de versões de romances do século XIX (neste caso, a primeira edição tem data de 1811), em qualquer caso destacando-se das rotinas televisivas de outros exemplos. E não há dúvida que o trabalho dos actores se revela decisivo no seu sucesso artístico. Emma Thompson, presente também como intérprete, surge como uma das três irmãs Dashwood — as outras duas estão a cargo de Kate Winslet e Emilie François —, envolvidas numa teia de acidentes e incidentes amorosos que, de uma maneira ou de outra, irão marcar o seu futuro.

Contando também com actores como Tom Wilkinson, Hugh Grant e Alan Rickman, “Sensibilidade e Bom Senso” ilustra, afinal, as qualidades tradicionais de um certo cinema britânico que, como se prova, podem ser geridas e relançadas por realizadores de outras origens. A demonstrar a sua espantosa versatilidade, logo após este trabalho Ang Lee dirigiu “Tempestade de Gelo” (1997), um drama visceralmente americano passado na década de 1970, na cidade de New Canaan, do estado do Connecticut.

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