Opinião

À espera dos Óscares

A cerimónia dos prémios da Academia de Hollywood está marcada para o dia 25 de abril

Shannon Stapleton

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

A cerimónia dos Globos de Ouro relançou uma interrogação: em tempo de pandemia e consumo de filmes online, como será concebida a cerimónia dos Óscares?

A cerimónia dos Globos de Ouro (realizada na noite de domingo, dia 28, madrugada do dia seguinte na Europa) existe agora como existem muitos acontecimentos do nosso mundo digital: podemos ver e rever os seus fragmentos em vídeos disponíveis no YouTube e outros locais da internet.

E não há dúvida que, sob o signo da pandemia, o evento implicou algumas pequenas proezas de comunicação — veja-se, por exemplo, a abertura de oito minutos, heroicamente conduzida por Tina Fey e Amy Poehler, a primeira em Nova Iorque, a segunda em Los Angeles [video aqui em baixo].

Podemos, como sempre, comentar os “bons” e os “maus” prémios, fazer a nossa lista de “consagrados” e “esquecidos”… Em boa verdade, creio que, também como sempre, esse é um exercício que pode envolver alguma curiosidade, mas passa ao lado da pergunta central. A saber: faz sentido continuar a aplicar este modelo tradicional de entrega de prémios?

Escusado será dizer que a questão redobra de intensidade nesta situação de pandemia em que tudo adquiriu configurações online. Ou ainda: depois dos Globos de Ouro, que podemos esperar da cerimónia dos Óscares (marcada para o dia 25 de abril)?

O facto de haver um cineasta, Steven Soderbergh, envolvido na produção dessa cerimónia emblemática da Academia de Hollywood constitui, para já, um sinal que, pelo menos, gera expectativa. Seja como for, os Óscares de 2021 envolvem também um desafio tão problemático quanto fascinante: como conceber a mais célebre cerimónia de prémios cinematográficos num tempo em que, melhor ou pior, quase só estamos a ver filmes nos nossos ecrãs caseiros? Em última análise, é a própria identidade do cinema — como indústria, arte e comércio — que está em jogo.