Opinião

Taça numa Liga a verde

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

A Taça de Portugal, segunda mais importante competição futebolística nacional, é a grande oportunidade que três das melhores nacionais têm para pintar de outra cor uma temporada que continua marcada a verde, com tudo a ficar decidido entre amanhã e quinta-feira, com a realização da segunda mão das meias-finais, com tudo por decidir no FC Porto-Sp. Braga, embora o 1-1 do primeiro jogo confira alguma vantagem aos portistas, ao passo que o Benfica está claramente em vantagem, pois regressou do Estoril com um resultado confortável, fruto do 3-1 conseguido na Amoreira.

Portanto, indo ao encontro da ideia já deixada, as cores vão mudar, uma vez que na Liga, depois do que se passou entre sábado e ontem, sendo verdade que o Sporting ao não conseguir triunfar no Dragão (empatar também fazia parte das contas leoninas) viu Sp. Braga e Benfica encurtarem distâncias, continua a ser enorme a distância pontual dos leões para os três rivais mais diretos, mantendo-se incólume a possibilidade de regressar ao título depois de muitos anos de jejum.

Aliás, a equipa que melhor saiu da ronda foi o Sp. Braga, porque ao aproveitar o nulo entre dragões e leões, trocou de posição com os portistas na tabela classificativa, é agora o segundo da geral, confirmando-se a qualidade do plantel minhoto que pode levar a enorme cometimento no final da temporada, quem sabe a entrada direta na Champions. Outra equipa que também ganhou fôlego foi o Benfica. Porque venceu o Rio Ave, jogou bem melhor do que nos últimos jogos, mas voltando a pecar na finalização, e ao encurtar para três pontos a distância para os portistas, uma vez que têm de se encontrar na Luz… só depende de si poder terminar à frente do campeão nacional em título.

Mas, por agora, o tempo é de Taça. Garantidamente com cores diferentes. Com o vermelho do Benfica praticamente certo – ninguém acredita num volte-face por parte dos estorilistas, por muito bem que estejam a jogar – resta saber quem lhe fará companhia na final: se o azul dos dragões, se outro vermelho, o dos minhotos.

FUTEBOLISTAS LUSOS BRILHAM LÁ FORA

É indiscutível a qualidade dos futebolistas portugueses. Essa é uma das principais razões porque representam algumas das melhores equipas europeias, como aconteceu no último fim de semana com quatro deles. Na Alemanha, André Silva manteve a veia goleadora. Marcou no desaire da sua equipa (Eintracht Frankfurt) na deslocação a Bremen (1-2) e somou o 19.º golo na Bundesliga, sendo apenas superado pelo “The Best” da atualidade, Lewandowski, que soma 28. “Lewangol” que apadrinhou a estreia de Tiago Dantas na Bundesliga, ao alinhar os primeiros sete minutos com a camisola do Bayern Munique, sinal de que a possibilidade de continuar no clube não deve ser descartada.

Já em Inglaterra, Rúben Dias, ao 33.º jogo pelo Manchester City, 23.º na Premier League, obteve o primeiro golo da competição na vitória (2-1) frente ao West Ham, num poderoso remate de cabeça, assim ao jeito de muitos dos golos que obteve com a camisola do Benfica (12 em 137 desafios), confirmando, também nesta vertente, a importância que Guardiola lhe vem atribuindo na equipa. Finalmente, em França, com a camisola do PSG, também aconteceu o primeiro golo de Danilo com as cores dos parisienses, no triunfo (4-0) no terreno do Dijon. Foi o 23.º jogo do ex-capitão do FC Porto, 14.º na principal divisão.

JOÃO ALMEIDA REGRESSOU EM GRANDE

O “Giro”, uma das corridas de bicicletas mais famosa do Mundo, teve na última edição dois portugueses em grande destaque: Rúben Guerreiro, que conquistou o Prémio da Montanha, e João Almeida, que depois de 15 dias de “rosa” terminou a competição na 4.ª posição. Pois bem: os dois regressaram à ação na recente Volta aos Emirados Árabes Unidos e Almeida provou que está de volta pronto a fazer mais coisas bonitas.

Aquele que já pode ser considerado o melhor ciclista luso da atualidade terminou a corrida no 3.º lugar da geral, como sempre deu muita luta aos seus rivais e como prova da sua enorme capacidade entrou para o “top 10” do “ranking” mundial e já sabe que será o chefe de fila da sua equipa, a Deceuninck, na prova italiana deste ano, que decorrerá entre 8 e 30 de maio, o que quer dizer que, tendo todos os companheiros a trabalhar para ele, será forte candidato a vestir a simbólica “maglia rosa”.

QUINTANA MERECIA CONTINUAR FELIZ

Aconteceu aquilo que se adivinhava em função da gravidade da situação clínica, mas por aquilo que era enquanto cidadão e desportista, igualmente por ser ainda tão jovem, Alfredo Quintana, um dos melhores guarda-redes mundiais de andebol, merecia continua a ser feliz, a poder viver em paz com a sua companheira e acompanhar o crescimento da bebé de ambos, Alicia.

O desaparecimento de Quintana só vem confirmar quanto injusta é a vida. Nem vale a pena fazer comparações com cidadãos que só fazem mal à Humanidade, mas vale a pena que se diga que devia ser proibido morrer alguém com 32 anos e com tanto para dar. Continuo inconsolável, mesmo não conhecendo pessoalmente quem agora nos deixa, por aquilo que representava para muitos jovens, também porque adoro andebol. E, repito, Dom Quintana era e será sempre um campeão que recordarei com muita saudade.

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