Opinião

Rúben Amorim mais leão!

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Faz hoje precisamente um ano que Rúben Amorim chegou ao Sporting, disposto a ajudar a resgatar os leões de um pesadelo que já leva quase 20 anos de existência. Ontem, porque logo à noite se cumpre mais uma ronda da Liga, com o líder a receber a visita em Alvalade do Santa Clara, equipa que na ronda passada infligiu pesado desaire à equipa sensação da competição, Paços de Ferreira (3-0), a direção do clube leonino decidiu prolongar o contrato do treinador por mais uma temporada – até 2024 -, melhorando-lhe as condições salariais (presume-se que também aos outros elementos da equipa técnica) e aumentando-lhe a cláusula de rescisão de 20 para 30 milhões de euros, a melhor maneira de colocar um ponto (veremos se) final nos rumores que deixavam entender o interesse do Benfica no treinador que foi seu jogador e é de coração benfiquista – num passado não tão distante assim, foi-lhe vedada a entrada no Seixal como técnico da equipa B.

Com ele, desde essa tarde até agora, muita coisa mudou nos leões, mas nem tudo foram rosas: na temporada passada não se concretizou o objetivo da entrada direta na fase de grupos da Liga Europa (o Sp. Braga, seu anterior emblema, conseguiu a ultrapassagem na derradeira jornada) e já esta época, depois de prematuramente ter sido afastado daquela competição, por números muitos largos no seu ambiente (4-1, obra do Lask Linz), também a continuidade na Taça de Portugal ficou pelo caminho na Madeira. Só que, desde então para cá, os leões já conquistaram a Taça da Liga e reafirmaram o seu domínio, sem margem para dúvidas, na competição principal, mantendo avanço pontual considerável sobre os rivais a 13 rondas do final e estando, face ao que têm produzido, a “escassos” 10 pontos da entrada direta na Liga dos Campeões.

“CANTERA” DE OURO POTENCIADA

Tudo o que de bom tem acontecido, com a possibilidade de chegar a um título que foge há quase duas décadas e é sonho maior do universo sportinguista, é obra de Rúben Amorim? Em grande parte sim. Varandas terá sonhado com a contratação, Hugo Viana (disse-o o próprio Amorim) fez o resto, o treinador deitou-se ao trabalho e com sucesso. Sendo verdade que a conquista da Liga será o feito maior, o responsável chega lá por força da sua sabedoria, modelo tático, capacidade motivadora e olho (juntamente com o “scouting” naturalmente) para escolher jogadores. No espaço luso, casos de Pedro Gonçalves, Nuno Santos ou Paulinho, a joia da sua coroa, também lá fora, com as apostas em Adán, Feddal ou Porro, sem esquecer o “emprestado” João Mário, mas muito especialmente pelo trabalho continuado com muita gente da “cantera”.

Da “fábrica” leonina saíram para o último patamar futebolístico do clube jovens como Nuno Mendes (apesar dos 18 anos tem características especiais e, certamente, valerá milhões num futuro próximo), Tiago Tomás, Gonçalo Inácio, Eduardo Quaresma ou Daniel Bragança, este depois de dois empréstimos. E é esta mescla de juventude e experiência (Coates, Neto ou Palhinha fazem o resto) que faz do Sporting uma equipa segura, com passos (e passes) precisos, que nem precisa de dar grande espetáculo, até porque o essencial no futebol são os resultados. Sim, se a isso se poder dar uma pitada artística, tanto melhor, mas o fundamental é vencer!

Rúben Amorim renovou contrato até final da temporada 2023/24, ficou com a astronómica cláusula de rescisão de 30 milhões de euros, mas isso até poderá nem ser problema para um qualquer “tubarão”. Ontem, o treinador reafirmou que se sente feliz em Alvalade e que enquanto assim se encontrar… não será o dinheiro a sua principal motivação. Mas como já tantos o afirmaram, futebol é momento é há momentos que são imperdíveis. Para já, fica a certeza de que o leão não corre perigo, mas chegando ao título… o ainda jovem técnico é hoje mais leão do que ontem.

INÉDITA FINAL DA TAÇA DE PORTUGAL

Que o Benfica estava com pé e meio na final da Taça de Portugal, com o jogo decisivo a ter lugar a 23 de maio, um domingo, provavelmente no Jamor – é de crer que nessa altura já haverá público nos estádios – já se adivinhava e confirmou-se. Depois de terem vencido o Estoril na Amoreira (3-1), os encarnados confirmaram esse triunfo com nova vitória (2-0), numa atuação de sentido único, ainda que tenham jogado muitos dos futebolistas poucos utilizados.

Benfica que se juntou ao Sp. Braga – será a primeira vez que as duas formações se encontram na final da competição -, que foi ao Dragão bater o FC Porto (3-2) num jogo fantástico, dominado pelos minhotos nos primeiros 30 minutos, período em que chegaram a 3-0, e pelos portistas daí para diante, beneficiando da expulsão do esquerdino Borja. Desta forma, o detentor do troféu fica impedido de o defender e vermos se os encarnados somam o 27.º triunfo ou se os bracarenses para o seu magro pecúlio para três.

CANDIDATOS NO EUROPEU DE PISTA COBERTA

Portugal tem 16 atletas a defender as cores do País nos Campeonatos da Europa de atletismo pista de coberta, acolhidos pela cidade polaca de Torun, desde ontem até domingo. Nesse lote de participantes, há pelo menos três que são fortes candidatos à conquista de medalhas, o que seria fantástico para a modalidade, particularmente pela tradição acumulada ao longo de muitos anos.

No setor feminino, a naturalizada Auriol Dongmo, atleta com a melhor marca mundial no lançamento do peso, deve ser mesmo encarada como potencial candidata a conquistar a medalha de ouro, o mesmo se podendo dizer de Patrícia Mamona, uma das melhores de sempre no triplo-salto. No que diz respeito ao lado masculino, o grande favorito a subir ao pódio é o luso-cubano Pedro Pichardo, um dos melhores da atualidade, igualmente, no triplo salto. Paralelamente, acredita-se que outros atletas poderão perfeitamente melhorar marcas e, inclusivamente, bater recordes nacionais.

► A PÁGINA DO MATCH POINT

  • 2:23