Opinião

Bola na mão e mão na bola. Afinal, o que vai mudar para a próxima época?

Duarte Gomes

Duarte Gomes

Comentador SIC Notícias

Da última reunião do IFAB resultaram algumas alterações/esclarecimentos relativamente à infração "mão/braço na bola".

Para que possa entender melhor o que está em causa, fica o esclarecimento:


1 - Mão/braço involuntários antes de um golo

- Quando a bola tocar, de forma fortuita, na mão/braço de um atacante e entrar diretamente na baliza adversária, o golo tem que ser anulado. Ponto final, parágrafo.

Tal como acontece atualmente, uma equipa nunca pode marcar através de um toque/contacto, em último lugar, do braço ou mão na bola (mesmo que isso tenha acontecido involuntariamente). Por aqui, nada muda.

Onde a regra muda é noutra fase:

- Até agora, quando a bola tocasse na mão/braço de um avançado, sobrasse para um colega e este marcasse, o lance teria que ser anulado, desde que isso acontecesse imediatamente a seguir (dois, três segundos ou dois, três toques depois).

A partir da próxima época (2021/22), o golo obtido desse modo será sempre legal.

Só não valerá se for o próprio jogador que tocou na bola (mão/braço) a marcar, suponhamos com o pé ou cabeça. Sempre que sobre para um colega, já vale mesmo.

Esta mudança objetiva a questão e torna mais fácil a sua aplicação prática. A que ainda vigora deixa dúvidas quanto ao que se define como "golo imediatamente a seguir ".

2 - Mão/braço em todas as outras situações

Para além da questão da mão involuntária do atacante na obtenção do golo, o desafio mantém-se na questão de se saber como punir todos os outros lances que envolvam toque de mãos e braços na bola.

Por muito que se tente objetivar a letra da lei nesta matéria, a prática acaba sempre por encontrar um conjunto de lances-limite, que deixam dúvidas sobre qual a melhor decisão a tomar.

Para a próxima época, será assim:

- Sempre que um jogador movimente a mão ou braço na direção da bola de forma deliberada e acabe por toca-la/jogá-la, deve ser punido com pontapé livre direto ou pontapé de penálti (depende do local onde o faça). Esta é relativamente fácil e já é assim hoje em dia: mão na bola não é bola na mão.

O gesto de deslocá-los na direção daquela é para sancionar.

- Mudança mais estruturante surgiu na questão da "volumetria", ou seja, do saber quando punir situações em que mãos e braços estão claramente fora da zona do corpo ou da sua posição normal.

A partir da próxima época, a questão terá mais lógica: sempre que a "volumetria" seja considerada justificada para o movimento que o jogador está a fazer, não é para sancionar.

Por exemplo, quando um defesa tenta cabecear ou jogar a bola pelo ar, tem que dar impulso. Isso passa por levantar os braços para projetar força de salto. Se ele tocar na bola (mão/braço) nesse momento, o árbitro deve considerar o contacto legal, porque inevitável naquela circunstância.

Quer isto dizer que a "volumetria" só passará a ser punida quando for anormal, quando não se justificar. Quando não for consequência de uma jogada ou imprescindível para ela.
Quando for evitável.

Sempre que um árbitro entenda que os braços de um jogador não estão onde tinham que estar ou foram utilizados de modo desnecessário, deve assinalar falta se depois houver contacto com a bola.

Esta orientação nao terminará com todas as dúvidas, mas se bem interpretadas em campo, oferecem maior justiça ao jogo. No fundo, deixa de se punir tantas mãos, sancionando apenas aquelas que se puseram a jeito.

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