Opinião

Daqui a 50 anos, lembrem-se do 9 de Abril de 2021

A foto que Elon Musk publicou e que vai fazer história

Daqui a 50 anos o macaco Pager será tão famoso como a cadela Laika o primeiro animal do mundo a orbitar a Terra num primeiro teste dos soviéticos.

Daqui a 50 anos quando se falar no dia 9 de Abril de 2021 não será pela decisão do Processo Marquês nem para recordar o falecimento do príncipe Filipe, marido da rainha Isabel II. Daqui a 50 anos o macaco Pager será tão famoso como a cadela Laika o primeiro animal do mundo a orbitar a Terra num primeiro teste dos soviéticos.

Não me levem a mal, é um dia importantíssimo para a Justiça em Portugal, e o príncipe marcou décadas de monarquia britânica com tudo o que implica a nível global, mesmo para além da Commonwealth. Mas daqui a 50 anos viveremos num mundo muito diferente em que a comunicação com máquinas e a comunicação entre humanos será muito diferente e a imagem que hoje foi divulgada de um macaco frente a um computador poderá ser lembrada como um dos passos que criou o que será essa futura sociedade.

Elon Musk, sempre ele, na exploração, nos veículos eléctricos, no armazenamento de energia solar, nas comunicações à escala global, e até na especulação com cyber moedas tweetou uma imagem francamente invulgar e até desagradável. Um frame de um vídeo com um macaco frente a um computador, na prática um retweet da Neuralink, empresa que criou para estudar o cérebro humano e eventualmente fazer ligações entre nós e os computadores, algo muito mais difícil de fazer do que colocar um homem na Lua.

Os primeiros resultados e o atual aparelho usado pela Neuralink foram apresentados em Agosto de 2020, um momento polémico que levou a muita discussão sobre o verdadeiro significado e impacto destes estudos.

O vídeo agora apresentado muda muito.

Nele, Pager o macaco, aprende primeiro a jogar um jogo no computador usando um tradicional joystick, na verdade ao mesmo tempo está a transmitir, sem fios, o que acontece no seu cérebro. Para cima corresponde a determinadas ondas cerebrais, para baixo a outras e por aí fora. Depois os cientistas tiram o joystick e dá-se o processo seguinte. Pager só tem que “pensar” o que faria com a mão no joystick e o computador reage de acordo. O resultado é a espantosa imagem de um macaco a controlar um jogo de computador com o simples pensamento.

O vídeo original da Neuralink com explicações com explicações complementares em inglês:

Já experimentei várias vezes sistemas que lêem as nossas ondas cerebrais com os tradicionais capacetes de sensores para tentar controlar o que se vê num ecrã. As experiências que fiz eram francamente frustrantes. Mas a verdade é que o computador não tinha aprendido a ler o meu cérebro, tinha apenas orientações genéricas e muito menos informação sobre as minhas ondas do que o aparelho da Neuralink alegadamente é capaz de captar.

É um pequeno aparelho, com o diâmetro de uma moeda grande, e com mais de 2 mil minúsculos eletrodos. O aparelho é literalmente incrustado no crânio e os fios ficam lá dentro. Assim, é possível ler e enviar sinais, o problema é ser capaz de os interpretar e usar devidamente. Estamos muito longe de conhecer de facto esta linguagem do nosso próprio cérebro.

Mas o dia de hoje, a confirmarem-se as alegações de Muske e da Neurolink, abre um novo capítulo. Podemos sonhar com tratamentos neurológicos absolutamente inovadores, mas podemos sonhar com computadores que nos ajudam a pensar melhor e porque não até com telepatia. Por isso, daqui a 50 anos, lembrem-se: 9 de Abril de 2021.

A PÁGINA DE LOURENÇO MEDEIROS

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