Opinião

Artur Soares Dias não expulsou Pepe apenas para se defender

Rui Santos lança um olhar crítico sobre o Benfica-FC Porto e os desempenhos de Artur Soares Dias e João Pinheiro (VAR).

O Benfica tem de se decidir sobre a postura a adoptar relativamente a arbitragem.

Às vezes, e até proclamando-o, como se estivesse ou quisesse colocar-se um patamar acima da pouca-vergonha que se passa em Portugal perante as pressões exercidas sobre as equipas de arbitragem, empurrando-as para um beco sem aparente saída, uma vez que não reúnem as condições mínimas necessárias para decidirem com isenção e sem medo de retaliações, às vezes, dizia, o Benfica parece querer colocar-se numa posição diferente daquela que é adoptada pela ‘comunicação do FC Porto’, muito agressiva em quase todos os momentos, mas rapidamente despe as vestes do bom-senso, do equilíbrio e do respeito pela autonomia das instituições, para se colocar no mesmo plano de um ‘terrorismo verbal’ que afecta profundamente o futebol português na sua imagem e credibilidade.

Desta vez, a ‘comunicação do Benfica’ é particularmente dura para com Artur Soares Dias, deixando claro que o árbitro da AF Porto agiu condicionado e não consegue ser imparcial nos jogos com o rival do Dragão. E titula: “impedidos de ganhar”.

A acusação e a leitura do que aconteceu na Luz caem no plano das ‘meias verdades’, ou nem tanto.

Em primeiro lugar, é preciso dizer — e isso a ‘comunicação do Benfica ‘ oculta — que Artur Soares Dias assinalou duas grandes penalidades a favor dos ‘encarnados’, e se não houvesse VAR estaríamos agora a falar de uma “extraordinária arbitragem” do juiz gaiense, talvez o maior exemplo de ‘isenção’ à superfície do globo terráqueo.

Ora um árbitro que entra na Luz condicionado e que “não consegue ser imparcial” não oferece duas grandes penalidades ao clube que passa olimpicamente por cima desse facto como se isso fosse uma coisa normal. Não é.

O condicionamento veio depois. Artur Soares Dias, até por temperamento, não gosta de ser corrigido. No passado, muitos jogos acabaram assim. Com decisões por intuição. A história do futebol adV (‘antes do VAR’) está cheio de decisões por intuição, por impulso ou por gestão de agendas pessoais, eu diria ‘por invenção’. Tantos jogos e tantos campeões fabricados sob o alto patrocínio de arbitragens caprichosas.

Felizmente — e quando digo felizmente estou a pensar na utilidade da ferramenta e não na defesa de interesses clubísticos, sejam eles quais forem — o VAR existe e, quando as tecnologias são bem utilizadas — quem ganha é o futebol, na sua dimensão de ‘verdade desportiva’.

O VAR, João Pinheiro, é que não permitiu que dois erros graves passassem incólumes. E, para ele, nenhuma crítica — na verdade, seria o cúmulo da irrazoabilidade se João Pinheiro fosse visado por qualquer uma das ‘comunicações’, mas nestas coisas e neste plano já sabemos que o ‘futebol português’ é insuperável na sua conspurcabilidade.

Perante dois erros graves, que prejudicariam o FC Porto se não fosse a acção de João Pinheiro, Artur Soares Dias teve o seu momento de condicionamento superlativo quando não expulsou Pepe. Nesse momento, capitulou. Nesse momento, foi fraco. Nesse momento, pensou apenas em defender-se e ‘salvar a pele’. É que ‘isto’ não está para brincadeiras’.

Nesse momento ficou claro que nenhum árbitro, nem mesmo o melhor, tem condições para arbitrar em Portugal. isto está tudo minado. Começam a escassear as condições para alguém neste país poder decidir. E isso é grave. Muitíssimo grave.

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