Opinião

Uma história feminina do cinema

Jacqueline Audry (1908-1977): figura pioneira do cinema francês

Mark Cousins continua a investigar todos os domínios da expressão cinematográfica: assim volta a acontecer com a obra monumental “As Mulheres Fazem Cinema”.

Mark Cousins é um crítico e historiador de cinema, irlandês, sediado em Edimburgo, que adquiriu visibilidade internacional graças a uma obra tão monumental quanto fascinante: “A História do Cinema - Uma Odisseia” (2011). Ao longo de 15 horas, repartidas por outros tantos episódios, o seu trabalho conseguia abrir novas perspectivas de conhecimento e análise da evolução histórica dos filmes, muito para lá da mera inventariação de nomes, títulos e datas.

Algo de semelhante acontece em “As Mulheres Fazem Cinema” (2018), agora lançado no mercado português do DVD, com chancela da Midas Filmes. A duração é, de novo, espectacular (14 horas), obedecendo à mesma vontade antológica. Dito de outro modo: não se trata exactamente de um inventário dos feminismos no cinema, mas sim de uma viagem apaixonada e apaixonante pelos olhares femininos que, desde muito cedo, deixaram as suas marcas na evolução temática e estética do cinema.

De cineastas pioneiras como Jacqueline Audry a Agnès Varda, símbolo da Nova Vaga, passando por dezenas de autoras, tão contrastadas como Leni Riefenstahl, Kira Muratova ou Angelina Jolie, Cousins apresenta-nos um riquíssimo painel de contrastes. Para lá da perspectiva histórica e crítica, “As Mulheres Fazem Cinema” contém muitos e sugestivos extractos dos filmes citados, sempre com a melhor qualidade técnica. Sem esquecer que a narrativa está entregue a diversas actrizes, incluindo Jane Fonda e Tilda Swinton.

Entretanto, vale a pena registar uma aposta de divulgação da Midas Filmes no cinema Ideal. Assim, a partir de 3 de junho, “As Mulheres Fazem Cinema” será exibido naquela sala (em sessões com duas horas de duração, correspondentes a dois capítulos da obra). Neste tempo, marcado pela pandemia, em que importa repensar todas as formas tradicionais de difusão dos objectos cinematográficos, eis uma alternativa, inevitavelmente rara, mas a merecer atenção e reflexão.