Opinião

Adeus e até breve… na Liga

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Cai o pano sobre a mais atípica Liga da história do futebol português, mas ainda com muita coisa para resolver, pois nem todos os lugares, especialmente os relacionados com o fundo da tabela, estão preenchidos, realidade que fará com que a derradeira jornada para vários emblemas seja de sofrimento intenso, mas nalguns casos tão só o reflexo dos múltiplos problemas com que tiveram de viver ao longo da época e que nem sempre a mudança de treinador (o mais fácil quando as coisas começam a correr mal…) resolveu. Mesmo sendo moda no futebol português, a sistemática troca de técnicos, confirma-se que esse nem sempre é o caminho correto.

No regresso do Sporting aos títulos – veremos lá mais para diante se foi o 19.º ou o 23.º, acerto reclamado com insistência pelo anterior líder leonino, Bruno de Carvalho, e continuado pelo atual CD -, o FC Porto participará pela 25.ª ocasião desde que existe este formato de fase de grupos (só Real Madrid e Barcelona superam os portistas, com mais uma presença), o Benfica, pelo segundo ano consecutivo, tudo o indica, estará na 3.ª pré-eliminatória da prova, o Sp. Braga, por força do 4.º lugar, regressa à fase de grupos da Liga Europa, enquanto o Paços de Ferreira retorna passados vários anos às provas europeias para participar na 3.ª pré-eliminatória da nova competição, a Conference League, enquanto Vitória, de Guimarães, que defronta o Benfica, e Santa Clara, que recebe o aflito Farense, lutam pelo outro lugar na competição, com acesso à 2.ª pré-eliminatória.

Muito acesa, porém, é a luta no fundo da tabela. Com o Nacional já despromovido – fica a convicção de que Manuel Machado chegou tarde de mais à Choupana – falta preencher o outro lugar e resolver a questão do playoff. Relativamente à primeira situação, a posição é neste momento ocupada pelo Farense, que se desloca aos Açores, mas porque a diferença pontual é muito apertada, há mais três clubes envolvidos nesta questão e no acesso ao tal novo lugar de continuidade ou descida. Por ordem crescente na tabela, os envolvidos são Rio Ave, que se desloca ao terreno nacionalista, Boavista, que joga no terreno do tranquilo Gil Vicente, e Portimonense, que parece ser dos mais aflitos o que se encontra em melhor situação, que recebe o Sp. Braga, finalista da Taça de Portugal, e só necessita de um ponto para continuar entre os melhores. Portanto, esta quarta-feira vai ser cumprida por muitos com o credo na boca e a máquina de calcular numa das mãos.

No plano individual, também está por resolver – depois de um dérbi espetacular, com sete golos, situação resultante do facto de o Sporting já ser campeão e de o Benfica ter jogado bem mais descontraído, encarnados que venceram com justiça e aproveitaram bem as opções levadas a cabo pelo reinador dos leões, ficando, no entanto, a dúvida se seria assim se estivesse em causa, por exemplo, a conquista do título – a questão relacionada com o melhor marcador da prova, pois Seferovic e Pedro Gonçalves bisaram no jogo da Luz, somam ambos 20 golos, o suíço está em vantagem por ter jogado menos minutos, mas como falta um jogo a cada um…

Termina, então, a Liga dos melhores clubes – a época só encerra no domingo, com a realização da final da Taça de Portugal, em Coimbra, entre Benfica e Sp. Braga -, no segundo escalão falta saber quem fará companhia na promoção ao Estoril – a discussão envolve Vizela e Arouca -, mas porque o futebol parece não parar, vem aí o Europeu, que durará até meio de julho, de preferência com Portugal envolvido na conquista, e logo a seguir… regressa à ação. O que quer dizer que estamos perante um… até breve.

PORTUGAL SEM SURPRESAS NAS ESCOLHAS?

O Europeu, que devia ter-se realizado no ano passado e avança agora, entre 11 de junho e 11 de julho, com a final a ter lugar no Estádio de Wembley – o jogo de estreia de Portugal, que defende o título, tem lugar dia 15, em Budapeste, frente à Hungria – tem para os portugueses a sua primeira ação de fundo na noite desta quinta-feira, com o selecionador Fernando Santos a dar conhecimento da lista de 26 futebolistas para a competição.

Com uma baixa desde já conhecida, por lesão, a de Pedro Neto, a maior dúvida que parece colocar-se ao responsável é se poderá contar com Diogo Jota, que se lesionou num pé num dos últimos jogos do Liverpool, porque a ideia existente é que não haverá nenhuma daquelas surpresas de deixar toda a gente surpreendida. Nem mesmo se forem convocados alguns futebolistas que não indiscutíveis nos seus clubes, como é o caso de William Carvalho. Mas o melhor, no entanto, será esperar por ouvir de viva voz os nomes daqueles que irão tentar outra proeza, que seria tão inédita como a anterior: o bicampeonato!

HÓQUEI DO SPORTING E VOLEIBOL DE PORTUGAL

O fim de semana trouxe mais alegrias ao Desporto português. No hóquei em patins, modalidade onde os pergaminhos nacionais são relevantes, o Sporting conseguiu enorme proeza ao tornar-se bicampeão europeu de clubes, após uma “final four” totalmente lusa em que teve de levar de vencida Benfica, nas grandes penalidades, e FC Porto, no prolongamento. Um feito a que ficam ligado um fantástico grupo liderado por Paulo Freitas.

Já no voleibol, a seleção nacional, comandada por Hugo Silva, apurou-se pela segunda vez consecutiva para a fase final do Campeonato da Europa, depois de na fase de apuramento ter somado seis vitórias nos seis jogos realizados, frente a Bielorrússia, Noruega e Hungria. Desempenho notável de uma equipa em renovação e que sonha com grandes resultados, fruto do crescimento sustentado na modalidade… que ao nível dos principais clubes até aposta muito pouco no produto nacional.

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