Opinião

Sessão de Cinema: “Mr. Klein”

Alain Delon protagonizou e produziu o filme em que trabalhou com Joseph Losey

Redescobrindo o cineasta americano Joseph Losey: “Mr. Klein”, com Alain Delon, é um dos filmes que ele realizou durante o seu exílio europeu.

No mercado português, o cineasta americano Joseph Losey (1909-1984) tem sido objecto de uma verdadeira redescoberta, tanto mais interessante e importante quanto acontece através de cópias restauradas. Mais do que isso: essa redescoberta permite-nos ver ou rever alguns dos títulos fundamentais que assinou no continente europeu, depois de ter deixado os EUA, no começo dos anos 50, na época das perseguições “maccartistas” (que, como é sabido, visaram muitos profissionais de Hollywood).

Entre os filmes de Losey já disponíveis em streaming, destaca-se aquela que é, a meu ver, a obra-prima absoluta da sua filmografia: “Mr. Klein” (1976), centrado numa admirável composição de Alain Delon. Aliás, para o actor, este foi um momento fundamental do seu trabalho, já que se envolveu no projecto também como produtor.

Robert Klein (Delon) é um cidadão de Paris, na França ocupada pelos nazis. De qualquer modo, não estamos perante um tradicional “filme de guerra”. Negociante de arte, Klein vai tirando partido da situação, comprando obras por preços muito baixos aos cidadãos de origem judaica que precisam de algum dinheiro para conseguir fugir aos ocupantes. Até que, por um perverso acaso, Klein é confundido com um outro “Klein”, judeu.

O filme é a saga dantesca de Klein a tentar esclarecer a sua identidade face a uma máquina de guerra desumana e implacável. “Mr. Klein” consegue, assim, expor a fragilidade dos destinos humanos, por assim dizer entre as regras da civilização e a violência da barbárie. No mercado português, o filme foi lançado com um subtítulo esclarecedor: “Um Homem na Sombra”.

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