Opinião

Sessão de Cinema: “Um Homem para a Eternidade”

"Um Homem para a Eternidade": memórias políticas do século XVI

O filme de Fred Zinnemman evoca o conflito entre Thomas More e o rei Henrique VIII — arrebatou seis Óscares referentes à produção de 1966.

Entre os títulos clássicos disponíveis nas plataformas de streaming, “Um Homem para a Eternidade” é, por certo, um dos que mais justifica a designação de “clássico”. E não apenas porque arrebatou nada mais nada menos que seis Óscares referentes à produção de 1966, incluindo o de melhor filme do ano; também porque se trata de um exemplo modelar de um sistema de estúdios (de Hollywood) que, de facto, ao longo da década seguinte, seria desmantelado.

Trata-se de uma realização de Fred Zinnemman (1907-1997), cineasta que se distinguiu por uma invulgar versatilidade — é dele, por exemplo, o lendário “O Comboio Apitou Três Vezes” (1952), um clássico do “western”. Neste caso, Zinnemann tem como ponto de partida uma peça de Robert Bolt, cuja acção se situa na primeira metade do século XVI: no centro do drama está Thomas More e o seu conflito com o rei de Inglaterra, Henrique VIII, quando este rejeitou a Igreja Católica.

“Um Homem para a Eternidade” possui, assim, a intensidade de uma saga política, sem deixar de ser uma vibrante intriga de bastidores. Entre os “oscarizados” do filme destaca-se a figura de Paul Scofield, notável actor inglês, intérprete de More. Sem esquecer, claro, que o elenco é uma verdadeira parada de talentos, incluindo Robert Shaw, Orson Welles e, ainda em princípio de carreira, John Hurt.

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