Opinião

Sessão de Cinema: “Número 17”

Sessão de Cinema: “Número 17”
A sofisticação da imagem (e do som) num filme de Hitchcock datado de 1932

Eis uma sedutora possibilidade de conhecer um pouco mais do cinema de Alfred Hitchcock: não um dos seus sucessos de Hollywood, mas um filme do seu período inglês.

No interior da história dos filmes, a figura de Alfred Hitchcock (1899-1980) tem tanto de histórico como de mitológico, a ponto de o seu sucesso em Hollywood nos fazer esquecer, por vezes, que a primeira parte da sua obra foi concretizada em estúdios de Inglaterra — recorde-se que ele nasceu na zona londrina de Leytonstone e só foi viver para os EUA no final da década de 30.

Graças ao streaming, podemos agora descobrir “Número 17” (1932), precisamente um dos títulos emblemáticos do seu período inglês. Mais do que isso, um filme que continua a suscitar um fascínio indissociável das suas componentes de “suspense” (embora com deficiente qualidade técnica, vale a pena ver o video promocional reproduzido aqui em baixo).

Estamos perante a adaptação de uma peça de Joseph Jefferson Farjeon, centrada num grupo de ladrões que, depois de roubarem uma joalharia, se esconde numa velha casa junto à costa do Canal da Mancha (cuja porta tem o nº 17). Jogando com as premissas clássicas de um “thriller”, Hitchcock soube conservar também um certo tom de humor negro que já pontuava o espectáculo teatral.

Nesta perspectiva, “Número 17” corresponde a um momento de evolução do autor, cada vez mais seguro e sofisticado na construção de uma narrativa marcada por muitas emoções, a começar pela mais essencial no cinema de Hitchcock: o medo. Sem esquecer que se estava nos primeiros anos do cinema sonoro e “Número 17” é também um exemplo modelar de um trabalho cada vez mais rico na criação de relações originais entre as imagens e a banda sonora, em particular no uso de ruídos que provêm de espaços que não estão a ser mostrados nas imagens.

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