Opinião

Sessão de Cinema: “A Oeste Nada de Novo”

O romance de Erich Maria Remarque regressa numa grande produção para "streaming"
O romance de Erich Maria Remarque regressa numa grande produção para "streaming"

Numa produção de origem alemã, com assinatura de Edward Berger, este é um retrato realista e contundente da dimensão trágica da Primeira Guerra Mundial.

“A Oeste Nada de Novo”, o romance de Erich Maria Remarque publicado em 1928, é um dos grandes clássicos da literatura sobre a guerra e os seus efeitos trágicos. A odisseia dos jovens soldados alemães que combateram na Primeira Guerra Mundial (1914-18) surge como um painel de muitas vítimas e múltiplas formas de sofrimento, mesmo se muitos desses soldados, no momento da mobilização, se julgavam protagonistas de uma epopeia “limpa” e redentora.

O livro deu origem a um clássico do começo do cinema sonoro, realizado em 1930 por Lewis Milestone, tendo sido também adaptado em formato de telefilme, em 1979, com assinatura de Delbert Mann. Agora, “A Oeste Nada de Novo” surge numa produção com lançamento directo no “streaming” — está na corrida dos Óscares (a atribuir a 12 de março de 2023), como candidato da Alemanha a uma nomeação na categoria de melhor filme internaconal.

Edward Berger, o realizador, optou por um registo marcado por uma carga perturbante de realismo, nomeadamente na encenação dos combates nas trincheiras. Este foi, de facto, um conflito travado muitas vezes em poucas centenas de metros de terreno, mas com consequências devastadores, incluindo milhões de mortos, quase todos jovens soldados.

Daí que o essencial seja a percepção global de uma tragédia colectiva, não a consagração de figuras de “heróis”. Aliás, o elenco evita mesmo a utilização de actores muito conhecidos, à excepção de Daniel Brühl, optando antes por um punhado de talentos relativamente jovens — Felix Kammerer, Albrecht Schuch, etc. —, capazes de representar o “anonimato” daqueles que participaram nos combates.

Estamos, além do mais, perante um projecto de exemplar competência profissional, visível em particular no trabalho de reconstituição das trincheiras e na sofisticação de luz e cor — a cenografia é da responsabilidade de Milena Koubková, pertencendo a direcção fotográfica a James Friend. Por isso mesmo, e para lá da corrida ao melhor filme internacional, é bem provável que “A Oeste Nada de Novo” consiga importantes nomeações nas chamadas categorias técnicas.

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