Análise

Negócio do hidrogénio “só pode indiciar a corrupção”

Para José Gomes Ferreira, o negócio como está irá tornar-se em “mais uma renda garantida” às grandes empresas de energia.

José Gomes Ferreira analisou, no Jornal da Noite, a investigação do Ministério Público ao negócio do hidrogénio, que visa os ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e o secretário de Estado da Energia, João Galamba. Para o jornalista este negócio é "altamente ruinoso”, uma opinião que já tinha manifestado em julho, através de um artigo de opinião.

“O negócio em si só pode indiciar a corrupção”, afirma José Gomes Ferreira, acrescentando que "se for para a frente todo o país é prejudicado, os consumidores e os contribuintes são prejudicados”.

O negócio do hidrogénio “é alicerçado na atribuição de subsídios para se instalar mais capacidade de energia fotovoltaica paga a um preço altíssima através dos consumidores, das faturas de eletricidade normal das nossas casas”, explica. E questiona se faz sentido investir num processo que gasta 1,5 unidades de energia para produzir uma unidade de energia de hidrogénio verde.

“Isto não faz sentido em lado nenhum do mundo. Claro que toma sentido como um produto financeiro para garantir rendas a estas empresas”, sublinha.

José Gomes Ferreira considera que é tão evidente que [o negócio] tem elementos para favorecer empresas que não pode deixar de ser investigado sob pena de - se for para a frente assim como está - se tornar mais uma renda garantida como vimos no caso das grandes empresas de energia.

Isto tem tudo pontas de corrupção, remata o jornalista.

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