Análise

Uma semana com uma excelente notícia e um assumir de culpas. É o 5+5=5

Aqui a semana tem cinco dias e os temas também são cinco. À sexta-feira, recordamos as notícias que mais marcaram os últimos dias. Pedro Cruz explica as suas escolhas em cinco minutos. É o espaço 5 dias, 5 temas em 5 minutos.

Vacina

A semana começa com uma boa notícia. Aliás, uma excelente notícia.

Depois da terceira fase de testes, já há uma vacina com 90 por cento de eficácia. As primeiras 50 milhões de doses devem chegar ainda este ano.

E há, pelo menos, dois motivos para festejar.

Primeiro, a ciência consegue um feito nunca antes alcançado, porque fabrica uma vacina para um vírus que há dez meses era desconhecido. Normalmente, uma vacina leva dez anos a ficar pronta para distribuição. Este trabalho de investigadores, virologistas e cientistas é de extrema importância para a ciência, para a medicina e para o mundo inteiro, vergado a uma pandemia.

Segundo é o ânimo, esperança e alento que traz para toda a humanidade. A partir de agora - e em breve mais vacinas surgirão - sabemos que já há um caminho para combater o vírus que tornou 2020 no ano mais negro do último século.

Caranguejola

Ficou confirmado esta semana aquilo que já se previa a semana passada: nos Açores, há uma “caranguejola” pronta para governar.

O PS foi apeado do poder e a direita, mais o Chega!, utilizou o mesmo remédio que o PS e a esquerda em 2015. O parlamento gerou uma solução de governo que permite que quem vai governar não é o líder do partido mais votado.

Com um acordo parlamentar, O Chega! não governa mas tem um pé na porta.

As réplicas nacionais destes resultados regionais já provocaram uma guerra de palavras entre Costa e Rio.

Rio dá a mão ao Chega!, Costa estranha que o PSD se una a um partido xenófobo. O ruído entre ambos pode aumentar, mas a lição já foi dada em 2015: quem ganha pode não governar.

Saber perder

Trump, o narcisista, o egocêntrico, o homem que só se vê a si mesmo, perdeu as eleições.

Como se esperava, Trump poderá ficar na história pelas piores razões: primeiro porque, há quatro anos, não soube ganhar, e foi soberbo, sobranceiro e displicente, depois, porque agora não soube perder.

Há mais de 60 processos a correr na justiça eleitoral com pedidos de impugnação, recontagens e anulação de votos.

Trump, apesar da família mais próxima já lhe ter pedido para reconhecer a derrota, não o fará sem dar luta, sem levar a eleição para a lama e sem desvalorizar o adversário, porque não admite perder.

E não faz o discurso da “concessão” – prática habitual na eleição do Presidente dos Estados Unidos – nem facilita a chamada transição.

Trump, outra coisa não era de esperar, chegou á Casa Branca sem saber como, e ainda não percebeu que vai ter que sair.

“A culpa é toda minha”

A frase dita por António Costa, esta quinta-feira ao anunciar mais concelhos em estado de emergência e a decretar que “fecha tudo” nos próximos dois fins de semana, revela bem que o Governo não foi claro, firme, resoluto e transparente nas comunicações anteriores.

As dúvidas geradas nos portugueses, a confusão das medidas, a falta de clareza na forma como foram comunicadas, as “exceções” permitidas, tudo gerou um clima de insegurança e instabilidade na sociedade.

Em situações como a que vivemos, um governo tem de ser firme, claro, corajoso e, o mais possível, justo.

Apesar das medidas agora serem – parece-me – adequadas, equilibradas e proporcionais, o capital de confiança que tem de haver entre governantes e governados foi, de alguma forma, desperdiçado pelo Governo.

A noite mais longa

Há 31 anos caía o muro de Berlim. A nove de Novembro.

Uma sucessão de – lá está – comunicações dúbias, hesitantes e mal explicadas levou milhares para os arredores do muro e, de repente, abriu-se uma comporta que nunca mais foi possível fechar.

Foi o princípio do fim do mundo como o conhecíamos até então. Um grito de liberdade, de abertura, de diálogo e de entendimento.

O muro, mais do que um símbolo de divisão de uma cidade e dois países, era também um símbolo de uma divisão do mundo em dois blocos

Berlim. O lugar onde o século XX começou a chegar ao fim e uma nova ordem mundial surgiu.

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