Análise

José Gomes Ferreira: "Não aprendemos com os erros do passado"

Segundo o Boletim Estatístico do Banco de Portugal, o Estado tem um total de endividamento correspondente a 359% do PIB.

José Gomes Ferreira, jornalista da SIC Notícias, comentou a troca de acusações entre o governo e Rui Rio por causa das medidas em discussão a incluir no Orçamento do Estado para 2021 (OE2021).

O Ministro das Finanças, João Leão, acusou o PSD de estar a abrir um buraco de 2.200 milhões de euros com as 91 propostas que entregou. O PSD considera que as proposta têm “custo nulo” e acusa a esquerda de criar um buraco ainda maior.

“Haverá muito mais rombo orçamental do conjunto de propostas da Esquerda – nomeadamente do PS – do que propriamente do PSD e da área à Direita. Porque as da Esquerda vão, boa parte delas, ser aprovadas”, explica o jornalista.

José Gomes Ferreira considera que as propostas da direita não estão isentas de impacto orçamental, mas defende também que o impacto das medidas que estão a ser combinadas entre o Governo e o PCP – o partido que está ainda em negociações – será inferior ao avançado pelo líder do PSD, mas lembra que este valor irá juntar-se aos 15 mil milhões de euros de défice já previsto no OE2021.

O jornalista considera que o agravamento do défice previsto “é um risco”. Segundo o Boletim Estatístico do Banco de Portugal, publicado esta quinta-feira, o Estado tem um total de endividamento de 738 mil milhões de euros, o que corresponde a 359% do PIB.

“São três vezes e meia tudo o que produzimos num ano. Isto é um Estado falido. E fazer um orçamento que vai acrescentar mais 17 mil milhões de euros diretos em défice a este volume de dívida”, sublinha o jornalista.

Para José Gomes Ferreira, os partidos não aprenderam "com os erros do passado", nomeadamente da crise económica entre 2011 e 2013. Como consequência do aumento do défice, o jornalista alerta que os credores internacionais irão voltar para reaver o valor em dívida, voltando ao um cenário semelhante ao da Troika.