Análise

5+5=5 estados de emergência, 2 países bloqueadores e 1 orçamento com 0 donos

Aqui a semana tem cinco dias e os temas também são cinco. À sexta-feira, recordamos as notícias que mais marcaram os últimos dias. Pedro Cruz explica as suas escolhas em cinco minutos. É o espaço 5 dias, 5 temas em 5 minutos.

ESTADO DE EMERGÊNCIA n.º 5

Foi prolongado, como se previa, o Estado de Emergência, com algumas medidas mais apertadas e outras diferenciadas em função do número de infeções em cada concelho.

Na generalidade, as medidas fazem sentido, embora tenham um custo social e económico que começa a ser cada vez mais contestado, precisamente, nas ruas, e por muita gente, que não só não devia sair à rua, como não devia estar tão próxima.

O desafio dos cidadãos ao Governo é resultado de um cansaço da pandemia, de uma restrição de liberdades e de um desespero na carteira.

Não é fácil ser Governo nesta altura. Qualquer medida mais restritiva é imediatamente criticada. Mas a falta de consenso partidário também ajuda a perceber as divisões na sociedade.

A Costa, para os sucessivos estados de emergência, o que já temos e os que teremos, tem valido o PSD.

ORÇAMENTO DO ESTADO

Durante uma semana, no parlamento, os deputados do PS, PCP e Bloco vão decidir como será a nossa vida coletiva no ano que vem.

Um orçamento de remendos e de mão estendida, com algumas cedências que o Governo teve de fazer – seguramente a contragosto – e ainda sem garantia de aprovação na especialidade. Tem no calendário as eleição presidenciais a atrapalhar a dissolução do parlamento e uma eventual marcação de legislativas antecipadas que, a julgar pelas sondagens, não aproveita a quase ninguém.

Não parece haver outra solução que não aprovar um orçamento que, no fim das contas, não será do PS porque teve de ter em conta propostas de outros, e não será dos “outros”, porque é um orçamento do PS.

Teremos um orçamento órfão de pai e mãe.

Será este o melhor orçamento para um ano que se antevê dramático?

VACINAS E MAIS VACINAS

Há uma semana era uma, agora já são, pelo menos, duas à espera de aprovação e distribuição.

Talvez até ao final deste annus horribilis de 2020 já possa haver cidadãos de várias partes do mundo a receberam a cura para o vírus que nos deu cabo da vida.

São ótimas notícias, mas apesar da esperança, da sensação de que já há luz ao fundo do túnel, de que até ao verão do ano que vem poderemos retomar a nossa vida “quase normal”, ainda falta muito para se perceber se de facto a cura funciona em grande escala e, mais importante, como fazer chegar a vacina ao mundo inteiro, tendo em conta as dificuldades logísticas do seu armazenamento, transporte e distribuição.

Mais uma vez, a humanidade está posta à prova: depois da pandemia, da descoberta da(s) vacina(s) veremos como e quando chegam e a quem.

CONGRESSO DO PCP

Primeiro foi a Festa do Avante a desafiar as resoluções do Governo; a Constituição proíbe proibir “atividade política”. O PCP, e outros partidos, tem toda a legitimidade democrática e constitucional para realizarem as suas “atividades”.

Tal como na festa do Avante, – onde, nunca duvidei da qualidade da organização e da eficácia das medidas, o PCP sabe como fazer – a questão está na perceção.

A perceção de que há exceções à regra, que o confinamento obrigatório é só para alguns, que o PCP, outra vez, está acima das medidas restritivas.

Todos os partidos, menos o PCP, adiaram para 2021 os seus congressos ou reuniões magnas, não por falta de vontade de exercer a “atividade política”, mas por considerarem que a perceção dos cidadãos seria a de obrigação para uns e facilidade para outros.

Mais uma vez, o PCP não percebe que terá mais perdas que ganhos em fazer o congresso deste mês. E que só teria a ganhar se adiasse a reeleição de Jerónimo por uns meses.

Além disso, desta vez, é o próprio Presidente da República que torce o nariz.

Ainda assim, “assim se vê a força do PC”.

A (DES)UNIÃO EUROPEIA

A Hungria e a Polónia estão a bloquear as ajudas que a União Europeia, depois de muitas reuniões há meses, decidiu dar aos países.

A tal “bazuca europeia” de que António Costa fala desde o verão, levou meses a decidir e a pôr todos de acordo, com negociações infindáveis e que envergonham os líderes dos países europeus.

Pior ainda, na hora de assinar o cheque e começar a fazer o dinheiro circular, há um novo bloqueio.

Mais uma vez, os líderes europeus dão um terrível exemplo aos seus cidadãos, a toda a Europa e ao mundo.

A União Europeia não é capaz de, em tempo útil, resolver os problemas dos seus povos.

Não é esta a altura para repensar ou refundar a União. Mas quando a pandemia acabar, quando a “normalidade” voltar, quando derrotarmos o vírus ou conseguirmos combatê-lo, essa reflexão tem de ser feita.

E, mais uma vez, está em causa a perceção.

Se, perante a maior crise sanitária, económica e social desde a fundação da União, as respostas tardam, falham e são insuficientes, vale a pena perguntar: “Então, para que serve (esta) união?

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