Análise

Uma empresa desTAPada e a luz ao fundo do túnel. É só somar: 5+5=5 

Aqui a semana tem cinco dias e os temas também são cinco. À sexta-feira, recordamos as notícias que mais marcaram os últimos dias. Pedro Cruz explica as suas escolhas em cinco minutos. É o espaço 5 dias, 5 temas em 5 minutos. 

A transição

Começou, finalmente, a transição de poderes da administração Trump para Biden.

Apesar de ainda correrem processos judiciais e do ainda presidente não ter feito o discurso de "aceitação", já deu ordens ao staff para participar no processo de transição de dossiers;

Deveria ser uma não notícia, mas tendo em conta que se trata de Trump, e do tempo que demorou, torna-se uma boa notícia.

Mas Trump não se vai dar por vencido facilmente - enquanto Presidente, tem, até 20 de Janeiro, plenos poderes, para se perdoar preventivamente, e aos seus mais próximos.

O final do mandato de Trump será, portanto, o espelho dos últimos quatro anos.

Nada de novo.

E o ainda presidente já avisou que pondera voltar a ser candidato em 2024.

Os próximos quatro anos dirão o que vai acontecer. E Biden tem, até, bem vistas as coisas, a tarefa facilitada: só tem de começar por devolver normalidade à Casa Branca e à América.

A vacina

A um de Janeiro começa a chegar a Portugal a vacina.

A notícia é tão boa que nos permite começar a ver a tal luz ao fundo do túnel;

22 milhões de doses estão destinadas aos 10 milhões de habitantes.

Mas, e há sempre um mês, depois do falhanço com a vacina da gripe - que era para todos, mas que não chegou a muitos e, entretanto, acabou - o governo não pode falhar com as vacinas contra a COVID.

Não basta prometer e proclamar: é preciso ter uma excelente cadeia de distribuição, rápida e segura, e em paralelo, uma gigantesca campanha de vacinação, rápida e eficaz.

O desafio é agora esse - fazer chegar o mais depressa possível a vacina ao maior número de portugueses.

Com o pico da "segunda vaga" ultrapassado, e meio país parado, nada justifica falhas.

Esta mês será decisivo para dar esperança aos portugueses e para tratar da logística.

Vamos conseguir?

desTAPada

Entre uma intenção, o seu anúncio e proclamação, e a realidade, ficam, como sempre, pelo meio, as pessoas.

Os despedimentos em massa na TAP, a redução das rotas, o "emagrecimento" da empresa, a adaptação de uma companhia que estava sobredimensionada e que a pandemia só destapou, tudo isto faz da TAP, outra vez, um sorvedouro de dinheiro.

Público.

O controlo da maioria da empresa pelo estado traz acoplada uma ideia de companhia de aviação, mas também traz responsabilidades no futuro da companhia. E no presente.

Havia outra forma?

Para este governo - e para o anterior, já agora - o lema foi sempre este: há outra forma.

Sem ter de ser com "austeridade", com "cortes", com "despedimentos".

Podem, por favor, repetir?

Greve de fome

Primeiro: o respeito e admiração por quem vive um ano dramático do ponto de vista das receitas e vê negócios a desaparecer, portas a fechar e gente a ser despedida.

Não posso ser mais solidário.

Depois.

Fazer greve de fome é uma medida extrema, gravosa, atentatória da saúde de quem a faz e uma maneira de ampliar de modo exponencial um protesto.

Mas, num movimento inorgânico, não devem meia dúzia de pessoas bem-intencionadas tentarem substituir-se a organizações do setor, associações patronais e sindicais.

Individualizar num pequeno grupo todos os problemas causados a um setor não é a melhor forma de tentar resolver o que quer que seja.

Ainda que estes acampados diante do parlamento sejam bravos, corajosos e que estejam a defender o bem comum, há outras - muitas outras - formas de estabelecer diálogo com as autoridades.

O governo tem o dever, e a obrigação, de ouvir os representantes do setor.

Mas se ceder a grevistas de fome, corre o risco de, amanhã, ter diante do parlamento profissionais as mais diversas atividades igualmente afetados pela pandemia.

A fome nunca é solução.

40 anos

Passam esta sexta-feira 40 anos sobre a morte de Francisco Sá Carneiro.

Era primeiro ministro e morreu em funções.

Quando quem falo do tema quer evitar polémicas, fala num "desastre". depois, conforme as orientações políticas e convicções pessoais, uns dizem - ainda hoje - que foi um atentado, outros que foi um "acidente".

Na verdade, a dúvida nunca ficará totalmente esclarecida, sobretudo porque a divisão da sociedade não o permitirá.

Mas, há 40 anos, depois de uma noite repentina e trágica, era preciso encontrar um sucessor.

A Reportagem Especial desta semana conta como foi encontrado o sucessor do homem a quem ninguém queria suceder.

E recorda quem era Sá Carneiro e qual foi o seu legado.

A história é contada por quem viveu de perto esses dias.