Análise

“Os dois pratos da balança estão a pesar muito sobre a nossa vida coletiva”

José Gomes Ferreira analisa as regras para o novo confinamento, anunciadas pelo Governo.

António Costa anunciou, esta quarta-feira, um regresso ao confinamento a partir das 00:00 de sexta-feira. José Gomes Ferreira, diretor-adjunto de informação da SIC Notícias, analisa o impacto que estas novas medidas irão ter na economia nacional.

“Ninguém sabe o período temporal em que se terminará este confinamento, mas o impacto é num trimestre que é de lançamento de atividades e que é decisivo para o ano todo. Estaremos já a falar de um rombo no que vai acontecer no ano 2021”, disse o jornalista na Edição da Tarde.

José Gomes Ferreira lembra que “2020 foi uma desgraça” onde se perdeu 10% da produção nacional e 20 mil milhões de euros. Lembra que 2021 iria ser um ano de recuperação - recuperando 5% sobre 20202 -, mas com o novo confinamento no primeiro trimestre do ano, sublinha que "se ficar estagnado já não será mau de todo”.

Com o regresso a uma economia parada devido à pandemia, “o Governo precisará de endividar mais o Estado”, seja para cobrir a diferença da menor quantidade de receitas, seja ao pedir mais dinheiro nos mercados para fazer face ao aumento de despesas.

“Os dois pratos da balança - questão sanitária e questão económica - neste momento, estão a pesar muito sobre a nossa vida coletiva. Sendo certo que ninguém poderá dizer que, do ponto de vista sanitário, não se deveria ir por esta solução. Acho que isso ninguém consegue dizer com toda a consciência e de boa fé”, afirma o jornalista.

António Costa “não teve vergonha de voltar atrás”

José Gomes Ferreira lembra algumas declarações do primeiro-ministro no decorrer dos últimos meses e reconhece que António Costa “não teve vergonha de voltar atrás”.

“O primeiro-ministro disse, ainda há pouco tempo: ‘o país não aguentaria um novo confinamento’. Esta expressão, que tem um impacto ou um significado do ponto de vista da reação perante a pandemia, era certamente para levar as pessoas a terem o máximo de cuidado possível para evitar o novo confinamento”, disse ainda o diretor adjunto de informação.

Sobre a responsabilidade do aumento de casos, o jornalista diz que ainda não há dados suficientes para atribuir culpas. Considera que esse balanço deverá ser feito “com mais ponderação daqui a mais algum tempo”.

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