Pedro Cruz

Só lhes falta falar 

Pequim, 26 de Abril
Marcelo já anda pela capital chinesa. A primeira paragem é na grande muralha. Uma obra feita com tempo, paciência, esforço e orgulho - traços de um povo resiliente e empenhado, de poucas palavras mas de grande determinação.
A muralha é mais do que um postal turístico ou um lugar onde todos deviam vir uma vez na vida.
É um símbolo. Uma demonstração de força, coragem, arte engenho e a prova de que o trabalho compensa.
A China sempre foi um gigante. Económico, cultural, artístico.
Cansados da guerra e das guerras, dos planos de revoluções culturais e de ideologia exportada, o gigante que nunca esteve adormecido, desperta devagar para um novo objectivo: ser também, um gigante político.
É mais fácil mandar no mundo através do comércio do que da guerra.
Gente de poucas palavras, que nunca diz não mas também quase nunca diz que sim, os chineses são muitos, vão ser ainda mais e, sobretudo, têm dinheiro.
Mas basta andar pelas ruas de Pequim ou, até, tentar pediriam refeição num restaurante para se perceber quase ninguém fala outra língua que não o mandarim.
Hão de lá chegar, com... tempo, paciência, esforço e resiliência.
Só lhes falta falar.