País

Berardo diz que Sócrates tentou fazer qualquer coisa pelo País, mas foi crucificado

O comendador Joe Berardo considerou hoje à Lusa que José Sócrates "tentou fazer alguma coisa pelo país, mas foi crucificado" e que, estando legitimamente à frente do Governo, "deveria ser apoiado".

Joe Berardo falava hoje à agência Lusa, em Sangalhos (Anadia), na Aliança Vinhos de Portugal, empresa de que é acionista maioritário.



Os portugueses não deveriam "estar contra" Sócrates, pois "as coisas estão muito difíceis", acrescenta o colecionador de arte, considerando que as pessoas, em vez de se preocuparem com o país, querem é tratar da "sua casinha, do seu partido".



Joe Berardo está convencido que vai haver eleições antecipadas, mas - afirma - não está "nada preocupado", nem lhe "interessa quem vai ganhar", pois "o sistema vai manter-se".



A maioria de que resultar o novo governo não vai, mais uma vez, ser uma maioria para "promover a unidade dos portugueses" em torno de combates às dificuldades que o país atravessa e para alcançar "objetivos que Portugal tem de de definir", sublinha.



Joe Berardo não vê, entre os atuais dirigentes partidários, "nenhum líder" capaz de combater o sistema político-partidário e de, simultaneamente, "juntar os portugueses" para que "o país dê um passo em frente".



"Para dar um passo em frente", Portugal tem de voltar a ser, como foi na época dos descobrimentos, pioneiro e corajoso, alerta, acreditando, no entanto, que os portugueses, "se unirem esforços, serão capazes de voltarem a ser" uma referência no mundo.



Referindo-se a Pedro Passos Coelho, o comendador Joe Berardo discorda do presidente do PSD, quando este diz que são necessários "oito a dez anos" para Portugal recuperar da atual situação, pois "nós não sobrevivermos esse tempo todo" na situação em que estamos, adverte.



"Não vejo ninguém com a ideia" de mobilizar o país e agir de imediato, confessa Joe Berardo. A não ser que, ressalva, num tom irónico, exista quem assim pense e "não o diga com medo de não ganhar as eleições".



Enquanto empresário, "nunca fui chamado para ser ouvido pelos políticos" e para discutir com eles o que deve ser feito pelo país, lamenta o comendador, recordando que quando viveu na África do Sul, era um dos empresários conselheiro do presidente daquele país.



"Cá, quando os políticos chamam os empresários" é para fazerem passar a sua mensagem, para dizerem "o que lhes interessa" e não para ouvir o que realmente pensam os empresários e com eles discutirem o país, acusa.



De todo o modo, Joe Berardo acredita no futuro de Portugal. Basta, advoga, "aproveitar o que temos de bom: os portugueses, o sol, a terra, a nossa história e a nossa cultura".







(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)



Lusa

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